Por mais que os textos pareçam repetir argumentos já expostos em capítulos anteriores, por mais anacrônico que possa parecer debater o anarquismo da forma como era debatido em séculos passados, ler Elisée Réclus no século XXI é colocar em prática ou pelo menos tentar colocar em prática um pensamento autenticamente inovador, revolucionário e em evolução. Réclus é um dos poucos pensadores ao lado de Bakunin, Emma Goldman, Malatesta e Kropotkin a repensar o socialismo e o comunismo enquanto ideais libertários em oposição às ditaduras capitalistas e também aos políticos socialista que se vendem ao sistema capitalista repetindo feito papagaios esquemas socialistas ou democráticos ou simplesmente reformistas deste sistema. Réclus é mais atual que muitos papagaios que escrevem hoje em jornais, que papagueiam na televisão em defesa do livre mercado, da sociedade (judaico)cristã ocidental, da economia aberta ou fechada, Anacrônicos são aqueles que nascem neste século e usam o anarquismo para repetir fórmulas autoritárias e desgastadas do capitalismo em seu hediondo anarcocapitalismo (palavra inexistente e sem significado criada por conservadores patrimonialistas para repetir o sistema já em voga, em outras palavras o anarcocapitalismo ou o movimento libertário dentro do sistema é o estado mínimo capitalista usurário, que tira o capital dos trabalhadores, que usa sindicatos para reformar o trabalho mas não melhora a vida dos trabalhadores).
Elisée Réclus era um geógrafo, neste livro ele trata da importância da revolução associada à evolução de cada indivíduo. Não se trata do individualismo defendido por Nietzsche ou Stirner. Mas do comunismo libertário. A revolução só pode vir quando o indivíduo quiser se ver livre das correntes da religião dogmática, do estado policial, da educação presa à ideia de pátria embandeirada (defesa chauvinista do patriarcado em detrimento da liberdade sem fronteiras). A árvore do conhecimento precisa ser cultivada e usufruída por todos, e todos tem o direito e o dever de trabalhar por todos sem as amarras do Estado autoritário ou democrático (a liberdade para poucos).