Direito & Literatura - Ensaios Críticos

    André Karam Trindade, Roberta Magalhães Gubert, Alfredo Copetti Neto

    Livraria do Advogado
    2008
    251 páginas
    8h 22m
    ISBN-13: 9788573485349
    Português Brasileiro
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    Paulo Silas Taporosky Filho06/09/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Seguindo a proposta de interlocução entre os saberes direito e literatura que o outro volume ("reflexões teóricas") do projeto "Direito & Literatura" inaugurou, o presente volume, "ensaios críticos", traz ao leitor uma série de trabalhos que repensam e superam aspectos do direito, como o positivismo jurídico, através de aportes epistemológicos da literatura e histórias literárias, tratando-se, conforme anunciam os organizadores na apresentação, "da primeira obra coletiva dedicada especificamente ao tema". Assim, para além da importância enquanto obra inaugural nesse sentido no Brasil, o livro possui o destaque ao considerar a seriedade e profundidade com a qual as abordagens são realizadas nos artigos que o compõem, estando nele reunidos vários pesquisadores renomados no âmbito nacional e internacional. Tem-se aqui, portanto, uma obra mais do que comprometida com as pretensões dessa relação interdisciplinar. A obra é dividida por seções ao considerar o tema central em que se amparam os artigos. Na primeira, "Direito & Narrativa", o enfoque na naratividade é o elemento base que estabelece a abordagem proposta, contando com o capítulo que abre o livro de Carlos Cárcova, "Derecho y Narración", onde o autor faz uma síntese daquilo que alguns grandes estudiosos já escreveram sobre o tema - como Ronald Dworkin e Terry Eagleton, por exemplo. Na segunda parte, "A condição humana, a produção da subjetividade e o sentido do direito", o artigos reunidos estabelecem reflexões sobre esses pontos através de leituras de Sarte, Clarice Lispector, Kafka e outros, como por exemplo as reflexões sobre o fim da inocência que Lenio Streck e Tatiana Bonatto fazem a partir da leitura de "O Senhor das Moscas". Na terceira seção, "Direito, globalização e neolliberalismo", a temática enunciada é dialogada com aportes em Eça de Queiroz e Fernando Pessoa, como por exemplo na análise do discurso neoliberal e seus efeitos para o direito que realiza Alexandre Morais da Rosa a partir do "Banqueira Anarquista", de Fernando Pessoa. Na última parte, "Os atores jurídicos e o imaginário social", Machado de Assis, Monteiro Lobato, Érico Veríssimo e outros nomes da literatura aparecem nos trabalhos dos autores que refletem o direito por essa perspectiva, tendo-se aqui, por exemplo, a rebuscada leitura na obra de Machado de Assis que Cancellier faz para apontar uma critica ao bacharelismo presente na literatura analisada. O livro é excelente. O que se tem como resultado da empreitada de reunir diversos trabalhos com diferentes enfoques situados nessa relação entre direito e literatura é um algo primoroso que merece nota. A qualidade do material e das pesquisas é evidente. Tem-se o livro então como uma das grandes e efetivas contribuições sólidas para o movimento direito e literatura no Brasil e no mundo, sendo assim uma obra base e referencial para os estudos nesse âmbito interdisciplinar.

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