Apesar desse tópico chamar-se resenha, resenhar significa muito mais do que sempre resumir mas sim, cotejar uma obra criticamente. Quero pedir para subverter esse espaço.
Talvez nenhum assunto seja mais atávico para mim do que a 2a. Guerra Mundial já que tenho lido sobre ele desde os 13 anos de idade. No entanto, apenas depois dos livros "softcover" importados terem se tornado mais acessíveis e também muito dos arquivos que estavam fechados a 30 anos terem sido abertos, propiciou uma análise muito detalhada desse período delicado da história humana.
Delicado por constituir-se em um momento onde o racismo, a discriminação por conta da origem ou da confissão religiosa, além das questões políticas, levaram à um nível de matança sem precedentes ou que teve uma escalada tão notável que guarda poucos paralelos.
Mais do que esse detalhe já em si terrível, soma-se outro que desperta a atenção dos que se propõe a entender mais sobre o período, a completa disvirtuação da ética profissional e da própria prática de profissões que sempre se constituiram (ou deveriam se constituir) na cidadela onde os fracos e doentes poderiam encontrar refúgio, assistência e cura: a medicina.
Lifton traça um perfil terrível: desde as práticas ditas "eugênicas", dos "seres indignos de viver" , até os experimentos e aniquilação de milhões de pessoas nos campos de concentração alemães, além dos perpetradores de tal genocídio, nada escapa à análise atenta e cuidadosa, baseada em entrevistas e documentos, constituindo-se em uma base sólida de argumentação e, no último capítulo, de uma análise da "psicologia do suicídio".
Os processos psicológicos explicados com maestria, não nos evita a pergunta: o ser humano é capaz de repetir tais atos? A Históri contemporânea nos mostra que sim, infelizmente.
The Nazi Doctors deve ser lido como documento e como motivo de profunda reflexão, incômoda, desafiadora mas absolutamente necessária.