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    Beethoven era 1/16 negro - E outros contos

    Nadine Gordimer

    Companhia das Letras
    2009
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-13: 9788535915822
    Português Brasileiro
    3.2
    34 avaliações
    Leram43Lendo0Querem79Relendo0Abandonos2Resenhas3
    Favoritos0Desejados79Avaliaram34

    Nas treze narrativas reunidas neste livro, a situação da África do Sul é traduzida em histórias de pessoas comuns que procuram rever suas identidades na nova conjunção política, depois do fim da segregação oficial. Escritos em prosa inquieta e precisa, os textos de Beethoven era 1/16 negro perfazem um conjunto que retrata a África do Sul em nova configuração social. Filiação, cor da pele e origem étnica já não são tão determinantes, mas continuam informando as identidades de indivíduos que agora têm a chance de repensar o passado e intuir futuros incertos e promissores. A nova configuração política do país faz negros, mulatos, imigrantes e mulheres assumirem papéis proeminentes. Até os brancos precisam reinventar uma identidade nesse país "como ele é agora". Ganham destaque as personagens femininas, que guardam a chave de compreensão dos novos tempos. São elas que parecem mover a atual dinâmica social sul-africana, por meio do casamento e do divórcio, da gestação e do aborto, da meditação sobre o passado e da inserção no mercado de trabalho. A literatura de Nadine Gordimer é um retrato ficcional do país nesse momento de reinvenção de si mesmo. Como diz o narrador do conto que dá nome a este livro, "houve um tempo em que negros queriam ser brancos, hoje brancos querem ser negros; o segredo é o mesmo".

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    Karla Lima09/03/2017Resenhou um livro
    0

    O que é um estrangeiro?

    Há quem se considere cidadão do mundo e por isso sem vínculo com lugar nenhum, ou com muitos ao mesmo tempo. Algumas pessoas nascem antes dos respectivos países – na literatura contemporânea, o caso mais famoso é provavelmente o de Mia Couto, nascido no que apenas vinte anos depois viria a ser Moçambique como nação autônoma. Algumas pessoas chegam ao mundo em enclaves étnicos remanescentes de impérios já desfeitos, como Herta Müller, romena de família alemã. Há quem tenha uma nacionalidade formal e outra, ou outras, afetivas – Edward Said, cristão, nasceu em Jerusalém, criou-se no Egito e se firmou como intelectual nos EUA. Identidade e pertença na África do Sul pós-apartheid são os temas que a Nobel de Literatura aborda nesta coletânea. O tecido social, esgarçado por décadas de racismo de estado, vai lentamente se recuperando: há novos parâmetros de comportamento, novas leis, novos códigos morais, uma política de reparação. Enquanto o coletivo se estrutura e avança no ritmo possível, como se estabelece, ou se reconstrói, a vida individual? Ser negro deixou de significar sofrer discriminação. Ou não? Ser branco já não é vantagem automática. Ou é, e sempre será? Não apenas o ex-opressor e o ex-oprimido, mas também imigrantes em geral e mulheres em particular tateiam a realidade em busca de pistas que levem a um nível, mínimo que seja, de compreensão. Quais são as oportunidades? Como tomar decisões? O que fazer com tanta liberdade?! Ninguém sabe onde está pisando, ninguém consegue prever as consequências de seus atos e omissões. De algum modo, todos são desenraizados e recém-chegados, nativos da terra e estrangeiros da língua, irmanados na fé e solitários irrecuperáveis. Dos 14 contos, gostei bastante de dez.

    3 curtidas

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    3.2 / 34
    • 5 estrelas6%
    • 4 estrelas26%
    • 3 estrelas47%
    • 2 estrelas15%
    • 1 estrelas6%
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    Nadine Gordimer

    Nadine Gordimer, escritora sul-africana, nascida em Joanesburgo, foi autora de mais de 30 livros — em sua maioria, crônicas sobre a deterioração social que afetou seu país durante o regime do apartheid. Desde seu romance de estréia, <i>The Lying Days</i> (1953), até <i>The Conservationist</i> (1974), vencedora do Booker Prize, dedicou-se a dramatizar as difíceis escolhas morais surgidas numa sociedade marcada pela segregação racial. Recebeu o Nobel de Literatura de 1991 e, mais recentemente, a Legião da Honra, na França. Explorou os problemas que assolam seu país em livros como <i>O engate</i> (2004) e <i>Beethoven Was One-Sixteenth Black</i> (2007), uma coletânea de contos. Morreu em 2014, aos 90 anos.

    35 Livros
    29 Seguidores

    Nadine Gordimer