Não espere uma história coerente, pois trata-se de uma história infantil e, no final das contas, destina-se, como indicado no próprio livro, aos estudantes da 5ª série, onde algumas necessidades humanas, como fome, moradia, dinheiro, escola, etc., estão em segundo plano, importando para tanto os conflitos da amizade e a solidariedade.
Teno é o menino dos óculos de aro de metal, um garoto que descobre que é adotado e acolhe em sua casa, escondido de seus pais, um menino de rua, Saulo, o menino-narrador da história, que não tem pais ou casa.
Durante a história é interessante perceber na figura de Teno os reflexos de sentimentos através dos óculos: quando está triste as lágrimas fazem as lentes embaçarem, quando está contente, as lentes límpidas mostram a alegria nos olhos de Teno.
Saulo, em sua obstinada amizade, passará por aventuras incríveis e riscos inimagináveis para trazer de volta a alegria perdida de Teno. Sob a ótica da realidade, muito do que é narrado parece impovável, mas quando focado em simbolismos, numa realidade das emoções, a história ganha outro sentido. O final é marcante, pois Everaldo Moreira Véras, autor da história, coloca-se no lugar de Saulo e é revelado o motivo da verdadeira obstinação de amizade do narrador.
AVISO: o final pode arrancar alguma lágrima do leitor adulto.