Sergio Vieira de Mello foi um brasileiro de grande destaque na diplomacia internacional. Porém, não como um representante do Brasil e sim um dos quadros de maior relevância da Organização das Nações Unidas (ONU). Para ter a dimensão do trabalho de Vieira de Mello, basta ver que a autora da sua biografia, Samantha Power, foi embaixadora dos Estados Unidos na ONU durante o governo Obama e, atualmente, é líder da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, além de ser uma professora de Harvard.
Sergio foi filho de um embaixador brasileiro que teve sua carreira prejudicada pelos militares durante a ditadura. Isso marcou sua personalidade de duas maneiras. Como morou em diversos países, sentia-se um cidadão do mundo. A forma como seu pai foi tratado afastou completamente qualquer desejo de servir ao governo brasileiro.
Enquanto estudante da Sorbonne, foi violentamente atacado pelas forças de repressão às manifestações estudantis de 1968. Sendo um idealista com uma sólida formação internacional, falando vários idiomas e sem interesse em retornar ao Brasil durante a ditadura, o ingresso na ONU parece algo óbvio, em retrospecto, mas não era seu desejo inicial.
Estava mais para um emprego temporário até as coisas melhorarem, mas virou o emprego da sua vida. Sua carreira consolidou-se no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), mas o ápice ocorreu ao ser indicado Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Era considerado por muitos um provável sucessor de Kofi Annan como Secretário Geral da ONU. Sua reputação era tão grande, que foi ao Iraque como enviado especial da ONU, no contexto das violações dos Estados Unidos e Reino Unidos às decisões do Conselho de Segurança.
Infelizmente, morreu exercendo o seu trabalho após um ataque terrorista à sede da ONU, em Bagdá. O livro conta em detalhes a história desse grande brasileiro.