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    Alfred e Emily -

    Doris Lessing

    Companhia das Letras
    2010
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788535916782
    Português Brasileiro
    3.6
    21 avaliações
    Leram30Lendo1Querem57Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos2Desejados57Avaliaram21

    Valendo-se de um expediente ousado, Doris Lessing explora a vida de seus pais e tenta compreender não somente quem eles foram, mas que influência tiveram na sua formação. O livro é dividido em duas partes. Na primeira, a autora imagina como poderia ter sido a existência de Alfred e Emily caso não tivessem vivido a Primeira Guerra. Lessing passa longe da tentação de proporcionar aos pais a felicidade desejada e a realização dos sonhos: a jovem Emily recusa-se a entrar para a universidade e decide ser enfermeira num hospital londrino. Alfred evita a burocracia dos bancos para dedicar-se ao trabalho rural e às partidas de críquete. Na segunda parte, Lessing expõe suas memórias da vida familiar numa colônia inglesa na Rodésia do Sul (atual Zimbábue). Aqui a vida real de seus pais revela-se em dolorosos detalhes - a luta de uma enfermeira e de um ex-soldado aleijado contra a lembrança massacrante dos hospitais e das trincheiras. Da tensão entre as duas partes do livro resulta uma potente investigação sobre os traumas da guerra e o efeito das emoções dos pais na vida dos filhos.

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    DIRCE PIRES DO NASCIMENTO NANNI picture
    DIRCE PIRES DO NASCIMENTO NANNI20/05/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Inefável prazer.

    Que bom seria se, na vida real, pudéssemos dar um giro de 360º nas nossas vida e, do "marco zero", reescrevermos uma nova história excluindo tudo aquilo que fizemos de errado ou que nos causou dissabores. Todos sabem que, na ficção, é permitido o que nos é negado na vida real. E é isso que Doris Lessing faz em " Alfred e Emily " : reescreve as histórias da vida de seus pais - Alfred e Emily- permitindo-lhes as realizações de seus sonhos, sem poupá-los , contudo, do sofrimento e frustrações, ingredientes intrínsecos à vida. Emily , na vida real, para tristeza de seu pai que a julgava brilhante e que a via cursando uma faculdade, optou por ser simplesmente enfermeira. Eu estranhei muito que na primeira parte do livro - Alfred e Emily: uma novela, Doris tenha destinado à sua mãe uma vida demasiado burguesa, mas,para minha surpresa, na segunda parte - Alfred e Emily: duas vidas, constatei que Emily( que era inglesa) se tornou muita amarga por se ver obrigada a viver anos no Continente Africano; na primitiva Rodésia do Sul, desprovida de todo o luxo que a cercava quando viveu no Irã. A Alfred, face sua forte ligação com a terra, Doris lhe reservou uma pacata vida familiar em uma fazenda ao lado de seus filhos e de sua esposa - a amorosa Betsy, deixando-o fora da Guerra. Eu admirei mais o Alfred real: o grave ferimento que o deixou mutilado na Guerra ( perdeu uma perna) não o impediu de tentar levar uma vida normal, muito embora a doença o tenha derrotado. Atrelado as vidas dos pais, Doris também conta como foi sua infância em uma fazenda ano meio do nada, ops! - no meio dos animais selvagens e no seio de uma família onde predominava o desamor , portanto, eu posso não estar falando bobagem se eu disser que, além da intenção de demonstrar o efeito devastador da guerra e do colonialismo que desvia o homem do seu "destino natural" , Doris quis, também, lavar sua alma: ela afirma com todas as letras que odiava sua mãe. Doris tenta se redimir afirmando que a verdadeira Emily morreu de colapso tão logo chegou a fazenda, e que a verdadeira Emily foi uma educadora, alguém que contava histórias, e que lhe trazia livros e que era dessa forma que ela queria se lembrar da sua mãe. Confesso que tal afirmação abalou minhas estruturas porque eu também fui uma contadora de história e com freqüência trazia livros para minha filha, mas me seria dilacerante se, me fosse dado saber que, minha filha me reduziu a uma mera contadora de história e alguém que lhe trouxe livros. Poucas vezes tive nas mãos um livro tão rico: estruturado de forma peculiar, traz fotos ilustrativas, traz esclarecimentos valiosos, suscita reflexões o que me proporcionou uma leitura de inefável prazer. Graças a quem? A ela, claro: a Paulinha que me presenteou com esse livro. O que tenho mais a dizer? Muito obrigada, obrigada de coração, Paulinha.

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.6 / 21
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas0%
    Doris May Tayler profile picture

    Doris May Tayler

    Filha de pais britânicos, nasceu em 1919, em Kermanshah, na Pérsia (atual Irã). Em 1925, mudou-se com a família para uma fazenda na Rodésia do Sul (hoje Zimbábue). Lá viveu até 1949, quando foi para Londres, levando o manuscrito de seu primeiro romance, <i>The grass is singing</i>, que obteve expressivo sucesso internacional quando lançado. Autora de uma obra extensa, que inclui ensaios, contos, romances e textos memorialísticos, Doris Lessing ganhou diversos prêmios, entre eles o Somerset Maugham (1954), o W. H. Smith Award (1986), o Mondello (1987), o Prêmio Internacional da Catalunha (1999), o Príncipe de Astúrias (2001) e o Prêmio Nobel de Literatura (2007). A Academia Sueca a definiu como "<i>a contadora épica da experiência feminina, que com ceticismo, ardor e uma força visionária escrutinou uma civilização dividida</i>".

    55 Livros
    68 Seguidores

    Doris May Tayler