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    O Estoicismo -

    Jean Brun

    Edições 70
    1986
    116 páginas
    3h 52m
    ISBN-10: 9724402509
    Português Brasileiro
    4.5
    12 avaliações
    Leram23Lendo6Querem88Relendo1Abandonos0Resenhas1
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    Doutrina de vários fundadores e de diferentes épocas, O Estoicismo é uma sabedoria de ordem prática, tendo como eixo um sistema que abrange a cosmologia, a lógica, e ética e a física. O presente opúsculo traça dele um quadro breve, mas completo.

    Resenhas (1)Ver mais
    Fabrício Rodrigues picture
    Fabrício Rodrigues14/01/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O destino do homem é a sabedoria, qualquer coisa diferente disto é insensatez

    O que encontrarás ao ler esse livro? Um panorama geral do estoicismo, em suas três divisões tradicionais – física, lógica, moral – mas não de maneira esquemática, como um apanhado de notas ou fichamento, muito menos análise crítica dessas idéias. Encontrarás leitor, a exposição da filosofia estóica com seus princípios e sua unidade. Física, lógica e moral como um todo, que foi dividido apenas para facilitar o entendimento. Logo de início lerás quais os principais filósofos cujas obras sobreviveram até os dias atuais, como Epicteto, Sêneca e Marco Aurélio; e também compiladores, como Diógenes Laércio; e adversários do estoicismo, como Plutarco e Cícero. E muitos outros fragmentos. Verás que o estoicismo costuma ser divido em três grandes períodos: o antigo, o médio e o imperial, sendo o imperial o que mais temos documentos disponíveis, dos outros temos apenas fragmentos. E principalmente: que é ser um estóico? É aderir a um modo de vida: viver conforme a natureza. E que isto significa? Viver conforme a razão, em conformidade com seu destino, e de acordo com a natureza, ou seja, Deus – theos em grego, não confundir com Deus do cristianismo. Deus é o mundo para os filósofos do pórtico – explico-te: Zenão, o fundador do estoicismo falava num portão, stoa em grego, em Atenas, por isso, chamam seus seguidores e alunos de filósofos do pórtico: estóicos – e o sábio se submete a Deus. Para viver conforme a razão, o sábio precisa conhecer, por isso a lógica é tratada de maneira especial, não como uma ferramenta para conhecer, mas como elemento da própria visão de mundo do estóico, por ela se entende o que é a razão (logos) e como viver conforme a natureza, conforme Deus quer. Esse Deus estóico é o próprio mundo, que mantém a harmonia do universo, por este motivo, leitor, eles consideram o mundo inteiro como um ser vivo. É pela lógica que os estóicos chegam à chamada simpatal universal, é a interação de todos os seres que existem no mundo, tudo que um faz afeta outros e vice-versa, é uma responsabilidade coletiva. Mas eles sabem que cada um é responsável pelas próprias ações, chegando à conclusão mais conhecida: o estóico deve se preocupar apenas com aquilo que depende de si. Tudo está ligado pela simpatia universal, que é percebida ao adotar a filosofia estóica como modo de vida, ao estudar sua lógica, que faz parte desse viver. Ao perceber que tudo é divino, que está interligado, que existe Deus e o destino, que tudo que existe é uma individualidade; está é a física estóica, não uma ciência, mas virtude, afinal, por ela se pode conhecer Deus. E por fim, a moral. O sábio estóico, ou que busca a sabedoria, sabe que algumas coisas dependem de si, outras não. Sabe também que existe a simpatia universal. E perante as dificuldades da vida, perante a dor, e até mesmo a morte, mantem-se firme, impassível. Não se preocupa com coisas frívolas, como glória, fama, aprovação social etc. Ele busca sempre a virtude, que é bela: a justiça, a coragem, a sabedoria. E foge dos males: a injustiça, covardia, imprudência etc. Quando tu leres, encontrará aprofundamentos em cada uma destas três divisões da filosofia estóica, como os próprios filósofos a definiram, e mais: como cada uma delas apóia a outra, não esqueças: a filosofia estóica é una. A simpatia universal que liga todos os seres, também atua nas partes da filosofia; é pela lógica e a dialética que se pode diferenciar o verdadeiro do falso, o bom do mal. Sendo a própria dialética uma virtude. E com a lógica se conhece o mundo, ou seja, conhecemos Deus, que diz que nosso destino é a sabedoria – e aqui falo por mim e tu, leitor. O sábio é virtuoso, e não existe meia virtude para o estóico, ou se é, ou não. Para ser virtuoso, é necessário saber diferenciar o bem do mal, a justiça da injustiça, ou seja, a moral precisa da lógica, que busca na física o que é bom e justo. Essas são as idéias fundamentais do livro, querido leitor. Há muito mais, não julgues o conteúdo pelo pouco número de páginas. Muito se é dito por lá. E não tenhas medo, a obra foi escrita para tanto para o leitor que conhece o estoicismo, quanto para o iniciante nos estudos. E não se esqueças, a sabedoria é o destino do homem, qualquer coisa diferente disto é insensatez e loucura.

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