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    Os Irmãos Tanner -

    Robert Walser

    Relógio D'água
    2009
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9789896411251
    Português Brasileiro
    4.5
    7 avaliações
    Leram10Lendo0Querem30Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos1Desejados30Avaliaram7

    Tal como em O Ajudante e Jakob von Gunten, este romance de Robert Walser exprime a vocação errante do autor, a sua disponibilidade para deambular, nada produzindo além do prazer do seu leitor. Robert Walser é um dos escritores que maior influência exerceu sobre Kafka, Hesse ou Musil e tem conquistado um crescente número de leitores em vários países. Os Irmãos Tanner é um livro sobre a liberdade, a liberdade de vivermos a nossa vida como bem entendermos, a liberdade para fazermos as escolhas, certas ou erradas, sem sermos criticados pelos que vivem segundo as regras instituídas e para quem a diferença pode ser ofensiva. Simon, o irmão Tanner protagonista desta história, representa essa liberdade. Simon é um jovem que não pretende fazer carreira, não quer vincular-se a um só trabalho, aprender um só ofício, não quer ser escravo da profissão. O que ele quer é viver a vida como bem lhe aprouver, trabalhar quando precisar de dinheiro e apreciar a natureza, ler livros e conhecer pessoas novas. Simon é um orador eloquente, tolerante e curioso, é um pensador. Embora não queira fazer carreira, não vive às custas de ninguém, quando precisa trabalha, algo que até lhe dá algum prazer, até que deixa de dar e, então parte em busca de uma nova experiência. Simon é o mais novo de 5 irmãos. Kaspar, é o artista da família, pinta paisagens e sonha poder viver da sua arte. Emil tinha tudo para ser um sucesso, encantador, atlético e inteligente, perde o norte e acaba num manicômio com uma espécie de esgotamento. Hedwig a única mulher da família é uma professora primária, a única carreira digna de uma mulher. Curiosamente, Hedwing ressente-se com os pais por a terem incentivado a ter uma profissão pois o que desejava mesmo era casar, ter filhos e viver para a família. O mais velho é Klaus, um acadêmico bem sucedido que vive aflito com a falta de preocupação que os irmãos mais novos demonstram ter com o futuro. Ama os irmãos e a sua preocupação é genuína pois não concebe que se possa viver de outra forma que não trabalhando e progredindo profissionalmente. É o típico homem de carreira, sempre cheio de preocupações e deveres. Estes são os irmãos Tanner, tão diferentes uns dos outros e que acabam por representar cada um de nós, cada espartilho que nos é imposto pela sociedade que criamos e na qual temos de viver.

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    jota 1109/03/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Deambulações walserianas

    Os irmãos Tanner são quatro rapazes (Simon, Kaspar, Klaus e Emil) e uma moça (Hedwig), mas este livro é basicamente sobre apenas um deles, Simon, escrevente de 21 anos. Simon não é sombrio como Jacob von Gunten nem tão irônico quanto Joseph Martin (de O Ajudante). É um tanto amalucado (do meu ponto de vista), chega sempre atrasado no trabalho, não para em emprego algum, vive sonhando acordado, não pensa no futuro, etc. Simon escreve longas cartas ao irmão Kaspar e também, quando expõe suas ideias ou pontos de vista aos interlocutores, gasta longos parágrafos para explicá-los. De início, Simon e Kaspar moram, de graça, na casa de Klara, uma das principais personagens femininas (a outra é Hedwig, claro). Klara é casada (com um sujeito de sobrenome Agappaia) mas se apaixona por Kaspar à primeira vista e também tem uma queda por Simon. O pensamento de Klara, como o de Simon, vagueia por esferas muito amplas, divinas mesmo: "Deus é o ser mais indulgente que existe no universo.Não consiste em nada, não quer nada, não precisa de nada. Querer alguma coisa, isso está bem para os homens, mas para ele não é nada. Para ele não é nada. Fica contente quando é invocado. Deus é tão grato..." E por aí vai, puro Robert Walser. E aqui temos Simon (ou Walser) divagando: "Os dias pareciam-me tão bonitos que profaná-los com o trabalho quotidiano seria uma arrogância.(...) Não era capaz de me dedicar a uma ciência e por ela abdicar da visão do sol e da lua ao fim do dia. Levava horas a contemplar uma paisagem ao fim do dia e passava noites, não à secretária ou num laboratório, mas sentado na relva, enquanto um rio corria aos meus pés e a lua espreitava por entre os ramos das árvores." De vez em quando personagens desaparecem da história, depois Simon os reencontra mais à frente (quase sempre por acaso, até mesmo seu irmão Emil) e assim as coisas vão rolando. Ou não. Pois aqui nesse romance, como nos outros dois citados, quase que nunca acontece nada de fato. Como diz o editor português de Walser, na contracapa, “Este romance exprime a vocação errante do autor, a sua disponibilidade para deambular, nada produzindo além do prazer do seu leitor.” É isso mesmo. Do mesmo modo que acompanhamos com prazer as idas de Joseph Marti ao Correio em O Ajudante ou a rotina de Jakob von Gunten no Instituto Benjamenta, agora seguimos Simon Tanner em suas idas e vindas pelos campos, montanhas, ruas, aldeias e cidades, mas principalmente pelos empregos. Pois ele não para em nenhum mesmo. Não se deve esperar por muita lógica quanto lemos um texto de Robert Walser. Afinal de contas, ele foi uma das maiores influências (senão a maior) na literatura de Franz Kafka, não? Lido entre 06 e 09.03.2012.

    4 curtidas

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    4.5 / 7
    • 5 estrelas71%
    • 4 estrelas14%
    • 3 estrelas0%
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    Robert Walser

    Robert Walser foi lido e admirado por contemporâneos notáveis como Robert Musil, Thomas Mann, Hermann Hesse e, sobretudo, Franz Kafka, que se dizia decisivamente influenciado por sua obra. Diferentemente desses autores que o apreciavam, contudo, Walser não ganhou fama universal. Ele se tornou uma espécie de "escritor para escritores", o que não faz jus à sua obra sempre instigante e às vezes genial.

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    Robert Walser