Por: Felipe Branco Cruz Só de carreira internacional são mais de vinte anos e para celebrar a data, a bailarina Cecilia Kerche lança o livro fotobiográfico “Cecilia Kerche – Vida e obra”, com textos do jornalista Felipe Branco Cruz e um hardcover singular registrado pelo olhar ímpar das lentes de Henrique Pontual, além de mais 15 fotógrafos. São mais de 150 fotos em 180 páginas que passeiam por ballets como: Giselle, A Bela Adormecida, O Lago dos Cisnes, entre outros, com histórias de backstage contadas por Felipe Cruz em uma edição trilíngue (português, inglês e espanhol). O trabalho fotográfico, é um caso a parte. Em belíssimos registros traz para o papel toda a beleza do ballet de Cecilia. Por meio de uma grande bailarina, esse é um livro que pulsa a dança e respira arte. Talento e dedicação são palavras que marcam a carreira de Cecilia Kerche, que hoje é uma das bailarinas com maior reconhecimento internacional. Uma carreira de excelência merecia ser coroada com um registro de igual valor. Cecilia Kerche Lins, interior de São Paulo, 14 de outubro de 1960, nasce Cecilia Kerche. Aos oito anos calçou as sapatilhas de ballet que não saíram mais de seus pés. Sua vida de bailarina começou cedo e aos vinte anos já havia tido como mestres Vera Mayer, Halina Biernacka e Pedro Kraszczuk, com quem se casou em 1980. Dois anos depois, mudou-se para o Rio de Janeiro passando a integrar o corpo de baile do Theatro Municipal e em 1985, tornou-se Primeira Bailarina. Desde então foi periodicamente convidada a dançar em festivais, galas e companhias de grande renome e importância no cenário da dança mundial. As personalidades e locais com os quais Cecilia atua demonstram sua capacidade, talento e sensibilidade. Seus partners marcaram a história da dança com arte e bravura. Cecilia dividiu o palco com Fernando Bujones, Igor Zelensky, Maximiliano Guerra, Mark Silver, Alexej Dubini, Jorge Esquivel, Roman Rykine, Luis Ortigosa, Hernán Piquin, Vladmir Derevianko, Viktor Ioromenko, Julio Bocca, Yuri Klevtsov, Kader Belarbi, Jean-Yves Lormeau, Jorge Veja, Marcelo Gomes, Vitor Luiz, Thiago Soares, Tomas Edur, Greg Horsman, Iñaki Urlezaga, Steven Heathcote, Paul Chalmer e José Manuel Carreño, além dos mais destacados primeiros bailarinos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, como Francisco Timbó, Paulo Rodrigues e Marcelo Misailidis. Cecilia dançou em cidades como Madrid, Santander, Peralada, Nervi, Jerez, Londres, Dresden, Berlim, Bruxelas, Antuerpia, Paris, Buenos Aires, Sidney, Melbourne e Seul. Além de algumas cidades dos Estados Unidos e Canadá. Na América Latina se apresentou em Montevidéu, Assunção, Caracas, Cidade do México, San Juan de Puerto Rico, e Santiago. Passou inclusive pela Russía, um dos mais tradicionais berços do ballet, onde se destacou ao interpretar versões completas do repertório clássico nas cidades de Odessa, Novosibirsk, Tashkent, Ufá e Perm, além, é claro, da capital Moscou. Cecilia fez da Argentina sua segunda casa, dançando por diversas vezes no Teatro Colón, em Buenos Aires, o mais importante do país. Foi onde fez a estreia sul-americana de “La Bayadère” e também, em celebração ao centenário de morte de Tchaikovsky, estreou “O Quebra Nozes”. Na Austrália dançou com o Australian Ballet, apresentando-se nos teatros de Melbourne e Sidney, na montagem de “Spartacus”. Foi destaque em Cuba, onde se apresentou em diversas edições do Festival de Havana, com o Ballet Nacional de Cuba. Junto ao Ballet Nacional do Chile, Cecilia foi convidada a dançar a temporada de comemorações dos 40 anos da companhia, em 1999. Cecilia estrelou grandes obras assinadas por Natalia Makarova, Vladmir Vassiliev, Peter Wright, Ronald Hindy, Ivan Nagy, Jack Carter, Aleksander Minz, Olga Evreinoff, Oscar Araiz e Derek Deane. Durante várias temporadas, Cecilia dançou junto ao English National Ballet, atuando como guest artist. Foi junto a essa companhia que Derek Deane criou para ela a personagem Fada Lilás, de “A Bela Adormecida”, apresentado no Royal Albert Hall, em 2000. Foi criado para Cecilia também um pas-de-deux de Marcia Haidèe inspirado na lenda da Sereia Yara. Por virtude de suas atuações internacionais, a bailarina recebeu ainda o título de Embaixatriz da Dança, outorgado pelo Conselho Brasileiro de Dança, órgão vinculado à Unesco, e foi convidada a fazer parte do Conseil Internacional de La Danse. Em 2007, por sua atuação como artista convidada no exterior, recebeu do Theatro Municipal do Rio de Janeiro uma homenagem por ter sido a brasileira que mais vezes interpretou “O Lago dos Cisnes” no exterior. No mesmo ano, recebeu o título de Embaixadora do Rio de Janeiro. Ainda que tenha estado presente nos mais diversos palcos do mundo, Cecilia fez questão de ter suas raízes fincadas no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde tudo começou, onde ainda atua e onde deixará seu nome marcado na história. A história de Cecilia começou aos oito anos de idade, permeou toda a sua vida trazendo grandes interpretações, espetáculos e até algumas lesões. E mesmo nesses momentos, Cecilia nunca se intimidou. Se perguntada sobre dor, responde que é normal. “Não há bailarina que não sinta dor” e, para ela, “dançar é quase como respirar”. Cecilia diz que talento significa força, competência. E a dedicação a fez chegar onde sempre sonhou: ser a Primeira Bailarina do Theatro Municipalo do Rio de Janeiro. E se perguntarmos se tudo valeu a pena, a resposta é certeira: “É claro que sim”. http://www.ceciliakerche.com
Vida e Palco - Cecilia Kerche
Felipe Branco Cruz, outros
50 anos de vida, 42 deles no balé
Por Roberta Pennafort Roberta Pennafort / RIO - O Estado de S.Paulo A pequena Cecilia começou a fazer aulas de balé clássico aos 8 anos. Não sonhava em ser profissional, apenas foi acompanhar a irmã, um ano mais nova, de quem era inseparável. Greice acabou se voltando à aeróbica, e se tornou campeã brasileira na modalidade. Já Cecilia Kerche abraçou o balé como prioridade de toda uma vida e, graças ao talento e ao trabalho diário, se tornou primeira bailarina do Teatro Municipal do Rio. Isso foi em 1985, quando a bailarina, nascida em Lins, pequena cidade da região de Bauru, no interior de São Paulo, tinha 25 anos. No dia 14 outubro, ela completa 50 anos, na condição de ícone - "o melhor cisne do mundo", nas palavras da russa Natalia Makarova, considerada a melhor intérprete do século 20 do papel principal de O Lago dos Cisnes. Uma bela data para o lançamento da fotobiografia com seu rosto e seu nome na capa, que conta em belas imagens seu encontro definitivo com as sapatilhas de ponta. Um encontro tão acertado que ela já começou no Municipal como demi-solista, à frente do corpo de baile. São registros de movimentos sobre-humanos nos palcos, dos balés que mais dançou, Don Quixote, O Quebra-Nozes, Giselle, La Bayadère, Coppélia, além d"O Lago - em suma, todo o repertório mais relevante do século 19. E também de momentos de aulas, sem maquiagem nem fantasia. Do jornalista Felipe Branco Cruz, do Jornal da Tarde, os textos que resgatam histórias de sua participação nos espetáculos vêm em português, inglês e espanhol. Bela, esguia, expressiva dos pés ao rosto, a embaixatriz da dança (título outorgado pelo Conselho Brasileiro da Dança, órgão vinculado à Unesco) aparece solando ou nos braços dos parceiros em sua arte - ao longo da carreira, dançou com nomes como o norte-americano Fernando Bujones, o argentino Julio Bocca e o russo Igor Zelensky. O virtuosismo a conduziu ao mundo todo, em turnês de Buenos Aires a Moscou, passando pelos Estados Unidos e toda a Europa e chegando à Austrália. Os companheiros de palco foram testemunhas da determinação da moça que, aos 15 anos, se olhou no espelho e fez uma promessa a si mesma: "Eu me lembro como se fosse hoje. Disse que até os 25 anos viraria a primeira bailarina do teatro mais importante do meu país", conta Cecilia, que nunca acreditou só na vocação e na pré-disposição física (sua flexibilidade é impressionante) para a dança. "Ainda mais hoje, com a concorrência que existe, o balé é 100% talento e 100% trabalho. A dedicação é exclusiva." Como diz na apresentação a professora e coreógrafa Dalal Achcar, grande incentivadora, "não foram suas aptidões que a levaram ao estrelato". "Foi a capacidade de discernir que para o desenvolvimento completo dos atributos que a natureza lhe havia dotado, além do amor à dança, era necessário uma força de vontade férrea." A exaustão do corpo já a levou à mesa de cirurgia quatro vezes. A última lesão foi no quadril (parecida com a do tenista Gustavo Kuerten), logo depois de dançar Romeu e Julieta nos Estados Unidos. Ela está sem calçar as sapatilhas há um ano e meio. Um tormento, e motivo de incertezas. "Não sei como vai ser voltar, não vejo a hora. Mas me recuperar tem feito parte da minha carreira. O mais dolorido é não poder dançar", lamenta Cecilia, que durante essa recuperação não ficou em casa: tem trabalhado passando sua experiência como preparadora de bailarinas mais jovens. No próximo dia 7, Dom Quixote volta aos palcos do Teatro Municipal, com ela nos bastidores. SAIBA MAIS “Cecilia Kerche: Vida e Palco”. Editora Independente, 179 páginas, R$ 100.
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