Se você está de fato saturado de histórias de vampiros e procura um livro diferente para ler e gosta de histórias que abordam a área do sobrenatural, comemore: Almas Gêmeas deve entrar na sua lista de livros para ler. O primeiro volume da série Evolução – que serão quatro livros – nos apresenta a história de um grupo de adolescentes que se aproximam e acabam se tornam amigos, apesar das diferenças, por dividirem habilidades não-humanas – prever futuro próximo, explodir coisas, conversar por pensamentos, entre outras – mais ou menos no estilo da conhecida história dos mutantes de X-Men.
Não se deixem enganar pelo título e capa do livro: Almas Gêmeas não é um romance meloso sobre um casal protagonista. A própria autora deixa bem claro através de seus personagens ao longo do livro de que o conceito que a raça humana tem de almas gêmeas é muito diferente do conceito real no livro. Porém, apesar de não ser focado completamente em um romance, ele existe e serve como pano de fundo para a história e junto com o romance também existem as traições, amores antigos, inseguridades e até mesmo um inusitado triângulo amoroso, do qual fica realmente difícil decidir qual par é o seu preferido.
Uma das características mais interessantes da história é que a autora balanceia muito bem as diferentes abordagens que são feitas ao longo das páginas. O drama comum da vida de um adolescente no último ano do colégio – preocupações com a carreira e vestibular, medo do futuro e da incerteza do que pode estar vindo pela frente – se mistura aos relacionamentos, quando não sabemos como agir, as dúvidas e vontades e também à abordagem das habilidades que são um fator de preocupação a mais na vida de um dos grupos, nunca ‘cansando’ o leitor e sempre apresentando novas informações.
Outra característica é que a história possue quatro narradores diferentes: Penélope, Camila, Sílvio e Fábio. Confesso que a princípio achei que isso iria somente atrapalhar a leitura pois a troca de narrador é constante, praticamente um por capítulo, mas me enganei. Não há quebra no ritmo na narrativa em nenhum momento e a troca acaba agregando um olhar múltiplo sobre todos personagens e seus pensamentos e atitudes frente às situações nas quais eles estão envolvidos, algo que não é possível quando se lê um livro que é contado por um só narrador-personagem. Ainda há o diálogo desses personagens que narram a história com o leitor, um recurso que é muito apreciado e te leva mais ainda para dentro do livro, que a autora usa com muito bom senso, sem pecar pelo excesso.
O ponto “fraco” são as páginas finais: poucas respostas são reveladas. Entretanto, acabei de ler o livro com a sensação de saber muito mais sobre o que está acontecendo do que as próprias personagens, ou pelo menos, creio que tenho uma boa teoria. Espero ansiosamente a continuação da série, que, infelizmente, ainda não tem data de lançamento.