No Volume 12, a narrativa atinge um patamar quase clínico na desconstrução da identidade e da realidade. Otsuka nos leva para dentro do próprio labirinto mental do protagonista, onde memórias falsas, personalidades conflitantes e manipulação genética se misturam em um turbilhão caótico. O Projeto Lucy, antes nebuloso, ganha contornos mais claros — embora isso não signifique que a confusão para o leitor diminua. Pelo contrário: as revelações só aprofundam o mistério e o desconforto existencial. A sensação que fica é a de estar assistindo a uma autópsia da mente humana em tempo real, com Tajima ilustrando cada camada de trauma e insanidade com um traço que mistura beleza e grotesco em doses perfeitas. A estética segue perturbadora, mas cada página é um convite para refletir sobre o que realmente define um “eu”.

