Embora a compreensão da ciência seja essencial à cidadania, mais importante que saber ciência é saber sobre a ciência, em uma época na qual tudo que é merecedor de crédito deve levar o adjetivo “científico”. Os autores conseguem ser historicamente precisos sem ser técnicos nem superficiais ao escolherem sete momentos de debate científico, desde os experimentos de Pasteur para tentar provar a impossibilidade da geração espontânea até tentativas recentes de mostrar a existência de radiação gravitacional. A originalidade está na capacidade de tratarem um tema difícil sem cair em armadilhas comuns, ao considerar que livros que abordam a ciência natural “tal como ela realmente acontece” ou são áridos, ou são sensacionalistas.
O Golem - o que você deveria saber sobre ciência
Harry Collins, Trevor Pinch
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Ver maisOriundo da mitologia judaica, o Golem é uma criatura humanoide feita de barro e água que ganha vida através de feitiçaria quando a palavra hebraica “emeth” (verdade) é inscrita em sua testa. Ele não tem muita compreensão do que isso significa, mas fica mais poderoso com o passar dos dias. Obedece ordens, faz seu trabalho e protege o amo de inimigos, mas ainda assim é desajeitado e perigoso causando destruição se não tiver controle. Muitas vezes é tratado como um bobo atrapalhado. Não lembra bem o famoso Golum da saga O Senhor dos Anéis? É por meio desse personagem que Harry Collins e Trevor Pinch comparam seu livro O Golem – O que você deveria saber sobre ciência. Aos olhos do não-cientista falar sobre ciência muitas vezes é imaginar algo rígido constituído a partir de acontecimentos que prevalecem sempre para os estudos futuros com uma exatidão promissora. Infelizmente, o posicionamento factual científico gerado por teóricos fora de sua alçada – entre eles escritores, jornalistas e até por políticas – acaba por não ajudar as pessoas a obter um alto nível de compreensão científica. O novo conhecimento é incerto, passa pelo crivo do cientista responsável e sua equipe que podem bater de frente contra colegas de profissão e especialistas diversos e, às vezes, diante de debates acalorados em eventos ou revistas científicas, tudo isso pode dar em nada. Assim, o livro avalia a costumeira inexistência de verdades absolutas na área científica revelando sete pesquisas distintas nos últimos 150 anos em que a teoria posta em ação gerou mais controvérsias do que resultados precisos. E o pior: muita gente nem ficou sabendo do buzz para se chegar a determinadas conclusões. A linguagem de Collins e Pinch é direta e bastante objetiva. Os temas citados são a transferência química da memória, a teoria da relatividade “provada”, a fusão fria, as origens da vida, a não-detecção da radiação gravitacional, a vida sexual do lagarto rabo-de-chicote e a história dos neutrinos solares. Os meandros das discussões são bem contextualizados afinal os profissionais citados avaliam duramente os resultados obtidos e as falhas que podem ocorrer. O projeto inicial até é esclarecido de modo simples, mas vale lembrar que, para um leigo, a explicação ainda pode ser nebulosa e, vá lá, cansativa – a narrativa não é. E se pegar o leitor de jeito a curiosidade pode leva-lo a fazer uma pesquisa rápida na internet para ao menos ver se houve progresso. O livro defende a ciência pelo que ela é: algo que não pode ser responsabilizada por seus erros. Ao contrário de nós, humanos, que podemos cometer erros ora de avaliação ora da informação repassada fora de contexto. Agora, o que você acha deveria saber sobre ciência? http://mottanetto.tumblr.com/post/17090275803/o-golem-o-que-voce-deveria-saber-sobre-ciencia
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