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    Os cinco paradoxos da modernidade -

    Antoine Compagnon

    UFMG
    2010
    145 páginas
    4h 50m
    ISBN-13: 9788570418340
    Português Brasileiro
    4
    45 avaliações
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    Já no início do século XIX, Hegel afirmava que a glória da arte estava no passado e anunciava nada menos que o seu fim. Seria o fim da arte, adiado há quase 200 anos, o que vemos hoje? Ou seria a falência das doutrinas que queriam “explicar” a arte, logo, atribuir-lhe uma “finalidade” e pensar sua história em termos de “progresso”? Essas são as questões que constituem o eixo de Os Cinco Paradoxos da Modernidade. Os leitores que desconhecem os rudimentos da história recente das artes encontrarão aqui um guia seguro. Os demais encontrarão uma perspectiva original (baudelairiana), cuja finalidade é esclarecer os sobressaltos atuais da pós-modernidade.

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    Natalí Daltoé picture
    Natalí Daltoé22/04/2012Resenhou um livro
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    Por muito tempo tratou-se por moderno aquilo que rompe com a tradição e por tradicional o que resiste à modernização. Falar de tradição moderna seria no mínimo paradoxal; porém, paradoxos não são uma barreira para Compagnon, ao propor, em “Os Cinco Paradoxos da Modernidade”, uma história paradoxal da tradição moderna. O primeiro paradoxo constitui-se a exemplo dos pares de vocábulos, como: antigo e moderno, tradição e originalidade, imitação e inovação, decadência e progresso, dentre outros. Tais pares são formadores de um paradigma que surge com a modernidade; trata-se da ambivalência. A dupla natureza é inevitável. Baudelaire e Manet são exemplares de que a beleza será convulsiva, bizarra ou desconcertante, ou não será. O segundo paradoxo surge com a estética do novo, o gosto com a moda, já que a paixão do presente é sempre inseparável da decadência. Baudelaire o constatou: o moderno torna-se logo ultrapassado. Há um prazer extraído da representação do presente que, além do que mais possa ser belo, diz respeito simplesmente à sua qualidade de presente, mas essa beleza logo se tornará antiguidade e decadência. Em relação ao segundo paradoxo, é necessária uma diferenciação entre modernidade e vanguarda, e uma diferença relevante se dá em relação ao tempo: enquanto a modernidade se identifica com uma paixão do presente, a vanguarda supõe uma consciência histórica do futuro e a vontade de estar à frente de seu tempo. Os primeiros modernos não negavam a arte de ontem, nem pensavam que a arte de hoje fosse necessariamente decadente amanhã. Já os vanguardistas viveram o paradoxo de terem que considerar a própria arte perecível e logo decadente. Em Teoria e Terror, o abstracionismo e o surrealismo, o paradoxo está no descompasso entre teorias e obras relevantes. Era de se esperar que as obras que se revelaram historicamente necessárias estivessem ancoradas em boas teorias, porém não é o que acontece no caso do abstracionismo, por exemplo, que se justificou a posteriori por doutrinas caducas, enquanto que teorias consagradas não foram capazes de consagrar obras (como no caso do surrealismo, que, radical e inovador, rendeu obras com sabor de passado). Ambos os casos ilustram a não-correspondência entre teoria e prática. O quarto paradoxo, relacionado à lógica de mercado, e que já pertence a um período de perda da auréola do novo, revela como a tradição moderna e as vanguardas - mesmo reagindo contra a religião da arte e a sacralização do gênio – acabaram por isolar ainda mais a arte dentro do meio elitista dos museus, das universidades e da crítica. O expressionismo, ao invés de produzir uma arte mais acessível, deu lugar a uma pintura de elite. Paradoxalmente, elas reforçaram a oposição entre grande arte e arte menor até o aparecimento da pop arte, por exemplo. A arte se deslocou de Paris para Nova York e acabou adquirindo uma profunda identificação com os bens de consumo. Pós-Moderno é o termo por si só paradoxal que norteia o quinto capítulo: Exaustão, pós modernismo e palinódia. Compagnon o define como palavra de ordem polêmica que posiciona-se enganosamente contra a ideologia da modernidade ou contra a modernidade como ideologia. O termo apareceu a princípio com caráter pejorativo e foi alterando-se nas retomadas seguintes. Nos anos 80, tornou-se um verdadeiro quarto de despejo. O principal paradoxo está na sua pretensão de romper com o moderno, e com isso, conseqüentemente, reproduzir a operação de ruptura, moderna por excelência. Para Compagnon o pós-moderno representa, talvez, a chegada tardia da verdadeira modernidade.

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