O Sobrinho de Wittgenstein -

    Thomas Bernhard

    Assírio & Alvim
    2000
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-10: 9723706032
    Português Brasileiro

    Monólogo contínuo, esse texto de Thomas Bernhard não pertence ao ciclo de suas narrativas autobiográficas, embora se aproxime delas ao revelar o autor, internado para cuidar dos pulmões, às voltas com um homem a um tempo original e patético: Paul Wittgenstein, sobrinho do genial filósofo, mas em tudo diferente do tio que celebrizou o nome. "O Sobrinho de Wittgenstein" parte de uma alusão a "O Sobrinho de Rameau", escrito no século XVIII por Diderot, para descortinar a vida de um homem incapaz de realizar uma obra, pois desperdiça seus talentos no prazer do instante. Ao observar Paul, Bernhard reencontra o veio de sua vocação para o banal e o profundo, os pequenos risos e choros do cotidiano, a convivência nos cafés vienenses, a fatuidade dos prêmios literários. Tudo embutido nos solilóquios alucinados, repetitivos e cruéis que lhe eram tão característicos. Instigante como tudo que Bernhard realizou, este livro fala de amizade num texto que sabe acompanhar, no movimento formal, o declínio de seu anti-herói. Uma realização que surpreende ao conciliar técnica e pungência.

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    Tiago Lopes19/09/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Caleidoscópico

    Uma verdadeira aula sobre como construir um personagem. Basicamente todo o livro se desenrola em uma casa manicomial onde Bernhard está confinado para tratar de seus pulmões tuberculosos ao passo que seu amigo está confinado por sua aparente "loucura". Tal amigo em questão é nada mais nada menos que o sobrinho do genial filósofo Ludwig Wittgenstein. Ao longo de rememorações, mesclando ficção e relatos biográficos - nunca saberemos a fronteira entre o que é real e que é fictício -, Bernhard vai deixando subtendido que talvez o sobrinho do filósofo era mais brilhante que seu tio, ou talvez apenas mais louco. Através desse intricado jogo de miríades e de espelhos, ao longo de um parágrafo, o autor lança sua habitual fúria contra o estado, instituições religiosas, manicômios, os ricos, aos que se dizem "artistas", o mundo literário, a morte e afins. Na literatura de Bernhard não existe espaço para compaixão. Vários autores são capazes de perdoar a vileza humana, Bernhard nunca perdoou.

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