Cada capítulo de O lado esquerdo do meu peito abre para um aprendizado múltiplo, refinado, onde o saber se expressa em reflexões poéticas sobre questões do nosso passado recente e do cotidiano. "Aprendizagem da História" mostra um escritor atento e sensível às bruscas transformações políticas, à morte das ideologias, às utopias que, como faca de dois gumes, aliviam, ao mesmo tempo que conduzem a um decepcionante beco sem saída. "Aprendizagem da morte" põe em foco a decomposição da carne, a sua brevidade, a homenagem póstuma à vida, aos outros, aos objetos que deixamos, ali, deserdados, e às muitas mortes que experimentamos todos os dias. Num outro capítulo, é a própria poesia que se transforma em tema, exercitado por Affonso como poeta rigoroso e consciente dos muitos ossos desse ofício em que formas e sentidos estão a serviço do intangível. Mas é na "Aprendizagem do amor" que Affonso Romano de Sant’Anna surpreende os leitores que o acompanham desde seu primeiro trabalho. Nesse capítulo, o poeta apresenta, pela primeira vez, suas poesias eróticas. O propósito é incorporar à sua obra este tipo de produção, que em língua portuguesa, desde Gregório de Matos e Bocage, tem sido apartada do resto da obra dos autores. O resgate é corajoso, resultando num livro que traz homem e poeta reunidos num único corpo, em cujo peito, do lado esquerdo, encontra-se o centro da razão de toda poesia – ainda que, ou principalmente, de modo simbólico. (Texto Retirado do Site da Editora Rocco)

