A primeira coisa a registrar é que não se trata de uma narrativa, mas de textos informativos a respeito das festas populares.
É interessante observar como o texto e a ilustração se complementam na descrição. Ficamos tentados a buscar as diferenças na construção e na leitura das duas descrições (a da cena montada com massinha e a da palavra), já que são linguagens diferentes, mas encontramos muitas similaridades e pontos em comum. Mas, como ambos tem o mesmo autor, é natural que as referências mútuas se multipliquem.
Imagino dois artifícios que poderiam transformar o texto informativo em ficção, sendo que o segundo poderia ser usado em sala de aula:
1. Os personagens da primeira ilustração (o Mestre André 'dando aula' para uma turma de crianças) poderiam aparecer nas ilustrações das festas, vestidos a caráter ('disfarçados') ou não.
Isso provocaria o autor a explicar essa presença: como eles foram parar ali? O que aconteceu depois?
2. O texto introdutório poderia ser recortado da seguinte maneira:
“(…)
Numa certa tarde, de sol muito quente, brincávamos de jogar pião no terreiro quando, de repente, uma batida forte de tambores veio vindo na estrada de terra que chegava na fazenda. Interrompemos imediatamente a brincadeira, levantamos as orelhas e espichamos os olhos na direção daquele som estranho.
***
Meu coração não parou de pular um minuto.
Um tio me disse que aquilo era folclore.
Passei anos com medo do folclore.”
As três estrelinhas (quem não se lembra da Condessa de Três Estrelinhas, da qual falava a Marquesa de Rabicó?) marcam o intervalo que deve ser preenchido pela fabulação, pela imaginação das crianças.
Acho que seria uma boa atividade de preparação para a leitura deste livro, na hora de fazer o levantamento do que as crianças já sabem sobre o assunto. E, se fosse realizada depois da leitura, poderia ajudar a trabalhar as diferenças entre descrição e narrativa, etc.