Segredos do Coração -

    Ana Luisa Baptista

    Espheris Edições
    2010
    10 páginas
    20m
    ISBN-13: 9788563741004
    Português Brasileiro

    Guardados do Coração "O coração que vive na gente - caixinha de chave e cadeado - foi feito para guardar um tesouro, com todo amor e cuidado. Não cabem guardados no peito medo, rancor ou sofrimento. São coisas de dizer para fora, jamais de trancar por dentro. Case guarde o que não deve, caso esconda o que é errado, bate estranho, dói no peito, o coração descompassado. Do tesouro trancado à chave nada se fala, nem se comenta. São guardados em silêncio os segredos que ele inventa". João Novais (Escritor). A história deste livro nasceu do contato com crianças que guardavam segredos e da necessidade de compartilhá-los. Fala numa linguagem simples sobre a necessidade de expressão e da solidão que se vive ao se esconder segredos em relações de intimidade.

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    Ana Luisa Baptista10/08/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    No contato com a arte o sujeito revela seu mundo interno. Tanto durante o processo, como no resultado de sua criação, seja este através do movimento corporal, dos sons, do canto, do ritmo, da dança; da criação e caracterização de personagens; da invenção histórias e músicas; do desenho da pintura, da composição de figuras, da tecelagem ou esculturas; traz para o mundo externo e objetivo, símbolos internos. Ao contemplar o que faz, entra em contato consigo mesmo, integrando forma, sensações, sentimentos, sentidos e significados. A Arteterapia utiliza-se da associação de diferentes recursos expressivos integrado a uma leitura simbólica. Em minha prática esta intgração acontece através das inter-relações entre a Psicologia Analítica de Jung e a Análise Psico-Orgânica de Paul Boyesen. Como instrumento de intervenção e apoio a crianças com câncer, a Arteterapia possibilita a expressão da psique, que pode ser observada através dos símbolos representados nas variadas produções artísticas, revelando o universo imaginário e simbólico, favorecendo a estruturação da identidade. Durante cinco anos de trabalho entre os anos de 2003 e 2008, em uma casa de apoio a crianças e adolescentes portadores de neoplasia, pude observar que o tema que mais reincide é o Segredo. Segredo dos pais que não querem que o filho saiba da sua doença para não sofrer. Segredo do adulto que sofre e não quer que a criança perceba sua dor. Segredo da criança que vê, estampado no rosto do adulto, preocupações, medos, dúvidas e angústias e faz de conta que não entende para que eles não sofram. Segredo do médico que não quer ser portador de más notícias e não coloca precisamente o diagnóstico sentindo-se ferido em sua impotência. ... São muitos os segredos. Guardar segredos nas relações de intimidade, machuca. O segredo se torna destrutivo pois, não sendo dito abertamente, deixa no ar que alguma coisa está ocorrendo. Facilitar o diálogo evita a perigosa situação que surge entre a criança que sofre e não deseja pensar no seu sofrimento, e o adulto que teme a dor da criança e prefere não enfrentá-la para não fazê-la sofrer. Cria-se um ciclo de sofrimentos “mudos” e a criança, solitária, fica presa em sua fantasia - sempre imensamente maior do que a pior das realidades. Independente da situação, as crianças das quais esconde-se a verdade, não encontram palavras para dizer onde está o seu sofrimento. Sofrem sozinhas. Elas necessitam saber o que se passa para sentirem-se seguras e ter esperança. Esta história surge da necessidade falar da delicadeza do que está escondido, abrindo espaço para revelações sem invadir. É um convite ao pequeno leitor, seja ele portador de uma doença grave ou não, perceber as conseqüências do que acontece quando não é possível compartilhar seus temores e conflitos.

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