O Lívio Teixeira é um dos filósofos brasileiros que eu mais sinto falta de ter conhecido em vida. Infelizmente o tempo nos separa irremediavelmente. Desde que entrei na faculdade e pude ter acesso aos temas que eu gostava de estudar (modernidade, sobretudo) venho me deparando com menções a ele que me levaram aos seus livros, tanto seu ensaio sobre Descartes quanto aquele acerca de Espinosa. O trabalho do filósofo, penso, não é somente propor, mas também investigar minuciosamente essa imensa tradição que nos perpassa, refazendo assim um trabalho de formiguinha que realiza seu percurso grão a grão. É enfadonho, demorado e nem todos tem o tino adequado para fazê-lo bem. Que o Lívio Teixeira seja extremamente competente nesse quesito e que, felizmente, sua figura tenha gerado discípulos igualmente hábeis (como Marilena, Giannoti), é algo que eu, como estudante de filosofia, contentento-me muito. Lê-lo, é perceber, por detrás de suas linhas elegantes, uma imensa dedicação ao tema que só é possível por um verdadeiro amor pela sabedoria. Releio esse livro sempre que posso, pois o estimo muito, seja no estilo, na forma de proceder e argumentar, no tema, enfim. Mesmo hoje, tanto tempo depois de sua morte, me vejo tocado pelo tipo de filosofia que ele faz nesse livro e sinto muito que não tenha podido conversar com ele pessoalmente, pois muito de sua beleza enquanto pessoa se revela nesse ensaio.
