Calma no Caos - Os ensinamentos budistas para viver melhor

    Arthur Jeon

    Ediouro
    2008
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-10: 8500023384
    Português Brasileiro

    Em Calma no caos , Jeon explica que a atitude que adotamos diante da vida tem papel fundamental na nossa felicidade. Preocupar-se apenas com o presente, procurando encarar as coisas com alegria e tranqüilidade, é o segredo para atingir a paz e a harmonia. O autor revela que o caminho da espiritualidade é, antes de tudo, uma conquista individual e oferece dicas para conviver com o estresse do dia-a-dia e com as dificuldades com as quais temos de lidar no trabalho e nos relacionamentos. (Sinopse da Livraria Cultura)

    Resenhas (2)Ver mais
    Carla Parreira picture
    Carla Parreira08/11/2023Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    Calma no caos O autor pensa como eu ao dizer que nada é necessário para a felicidade. O que vale a pena é saber ser feliz quando nada vai bem no nosso mundo material. Para conseguir esta proeza, devemos compreender que isso não tem nada a ver com paz, amor, alegria e liberdade. E falando em liberdade, a verdadeira liberdade está disponível no aqui e agora, não importa as circunstâncias. Não é o que nos acontece, é a nossa relação com o que aconteceu que nos faz presos ou tristes. Em outras palavras, coisas ruins acontecem mesmo na vida de gente boa, mas a maior parte do sofrimento vem depois, no submundo das nossas mentes, quando remoemos os fatos, incapazes de deixar passar a mágoa. Cada um de nós está programado, incontrolavelmente, com uma reação condicionada; cada um de nós possui uma série de convicções as quais nos apegamos como à própria vida. Algumas têm origem nas nossas experiências, mas a maioria é herdada. Seja como for, tanto faz, pois o que importa é dissolver as convicções inúteis e negativas. Quando relaxamos e nos entregamos à consciência desperta, momento a momento, nos libertamos das crenças, dos pensamentos, das superstições e dos condicionamentos. Em vez de rezar pela paz, nos transformamos na paz. Em vez de procurar compaixão e compreensão fora de nós, nos tornamos isso e muito mais. O desejo impede que sejamos felizes aqui e agora, e esse é o único espaço em que podemos ser felizes. Devemos abandonar nossas vasilhas de súplicas. Não temos de viver como fantasmas famintos, a vagar pelo mundo em busca de uma satisfação que já está aqui, em cada vibrante momento. Isso não quer dizer que o desejo momentâneo deixe de existir ou que seja necessariamente ruim. Mas quando ele ofusca o palco da consciência, pode virar uma espécie de loucura interior. E quando essa doença extravasa para a vida de outras pessoas, o sofrimento é inevitável. Quando estamos plenamente conscientes no momento presente, vivendo plenamente, segundo a segundo, fica muito mais fácil aceitarmos o que vem no aqui e agora. O desejo passa a ser um fenômeno como qualquer outro, efêmero e passageiro. Percebemos, então, que ele integra uma consciência maior. É suficiente compreender que nós pertencemos ao Todo. Não precisamos fazer nada, porque nós já somos; basta aceitar que a mente, ao criar histórias e ao se identificar com o pequeno ego, está aparentemente separando-nos da nossa própria consciência. É isso o que a mente faz. Mas é uma ilusão. É impossível separar alguém de quem realmente é, isto é, da própria consciência. Limitemos a continuar dirigindo a atenção ao momento presente, suavemente. É esse o caminho real da consciência. Ao se tornar cada vez mais presente, a consciência não deixará lugar para mais nada, nem para o pequeno ego, com sua ânsia e seus desejos. Tratemos de mergulhar no momento presente e os pensamentos neuróticos serão dissipados. O pequeno ego irá sumir natural e facilmente, substituído por um senso de conexão com o Todo. O melhor jeito de conectar-se com a paz interior é simplesmente observar os pensamentos correndo livres, durante a meditação ou caminhando na rua. Não precisamos acreditar neles, tentar pará-los ou decidir que são a nossa verdadeira natureza. Isso vale tanto para os pensamentos alegres como para os tristes. Tanto um devaneio agradável como um ataque de pânico causado por pensamentos neuróticos, ambos nos afastam do nosso único momento vivo. Devemos usar a mente como uma ferramenta para tarefas específicas. Quando acabar a tarefa, guardemos-a novamente e desfrutemos o agora. Tudo é permitido, inclusive o pensamento. Sintamos a liberdade e a falta de atrito que advém de não sermos contagiados pela neurose mental. Quando conseguimos evitar o inferno do pequeno ego, fica muito mais fácil abordar o inferno dos outros a partir de um espaço de paz, compaixão e amor. Com intenções na cabeça, nunca somos inocentes, fluidos ou livres, pois a cada momento a mente, com seis conceitos e estratégias, dirige o espetáculo. A mente está sempre trocando a alegria do agora por algum prazer imaginário no futuro. Mas este é um mau negócio, porque o futuro nunca chega. A verdade é que quando amarramos nossa felicidade a algo impermanente, ditamos nossa sentença de sofrimento. Tudo é impermanente, exceto a experiência vertical do aqui e agora, que se se oferece sempre fresca, viva e livre durante toda a nossa existência. É preciso abrir mão de todas as ideias sobre como as coisas deveriam ser. Aceitemos tudo da forma como vem, caso contrário estaremos perdendo a vida. Todos os momentos têm a sua dádiva, perfeita na forma como se apresenta, além do quê, desejos realizados aumentam a sede, é como beber água salgada. Ao lidar com perdas, dor ou doença, evitemos a interpretação ou busca dos porquês, pois isso é criar um inferno onde não existe. O importante é aceitar, tirar as lições que surgem sem especulações, culpas ou dramas. O fundamental da paz é saber aceitar a si mesmo, a vida, aos fatos e aos outros. Sempre que tentamos impor uma mudança a outra pessoa, por exemplo, mesmo com as melhores intenções, isso é manipulação e causa estragos, mesmo que sutis. A verdade é que todos somos precisamente o que precisamos ser no momento, em busca das nossas necessidades, mesmo que sofrendo. O controle é pura e simplesmente uma ilusão. A vida real é incontrolável. Quanto menos controle e crenças, mais liberdade. Portanto, devemos desconfiar de alguém que tenta nos convencer de que algo não vai bem conosco. A personalidade pode ser manipulada, porém, no nível da consciência, não há nada de errado, nada a ser modificado. Nossa natureza é perfeita e nunca vai haver nada de errado com nosso jeito natural de ser. Devemos buscar o que somos, e não o que pensamos que devemos ser. Devemos viver o tempo presente que é o único real. Nenhum momento é mais importante que o outro porque o presente, agora, é o único que se pode viver. O passado está morto e o futuro nunca chega. Isto não é uma ideia, é o que de fato acontece. O passado e o futuro só são acessíveis na imaginação. O próprio tempo existe apenas como conceito mental. Sem a mente, só existe o agora. Tudo o mais é imaginação. Outro ponto fundamental está em saber que a comparação gera conceitos de inferioridade e superioridade. Sem ela, não existem essas duas classificações. Não devemos olhar para os outros para descobrir quem somos, porque sempre existe alguém mais bonito, talentoso, forte, inteligente, feliz ou menos tudo isso. Uma vida interior muito rica não gera grandes necessidades, diferentemente do vazio que precisa ser preenchido por coisas externas.

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 22
    • 5 estrelas36%
    • 4 estrelas45%
    • 3 estrelas18%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%