Acho que essa antologia de contos foi elaborada especificamente para ser distribuída em escolas, como material de leitura para adolescentes e jovens. Sete autores experientes fazem as suas inventivas versões para o tema da primeira vez, explorando alguns dos significados possíveis para essa expressão. Desde o que logo vem à mente, da primeira experiência sexual, que é abordada por Milton Hatoum em Varandas da Eva, que foi o meu conto favorito. Mas há também O primeiro amor, conto de Ana Miranda que abre o livro, e também Mocidade, nove letras, horizontal, de Tony Bellotto, sobre a primeira reportagem de um jornalista. Foi esse conto do Bellotto, aliás, que me fez querer ler o livro.
Há também a comicidade de O sorriso de Lúcifer, de Moacyr Scliar, que meio que foge ao tema, até onde pude perceber. Scliar é outro autor que leio sempre que tenho a oportunidade, desde que fui arrebatado, aos 14 anos, por um conto dele que me deixou apaixonado e aplaudindo de pé (presente na clássica coleção Para Gostar de Ler): Nós, o pistoleiro, não devemos ter piedade (https://youtu.be/hxZMGhFx2io?si=-cbmZyweRxEDVTs7) (Link para o texto: http://almanaque.folha.uol.com.br/moacyrscliar5.htm).
Completam o livro Uma viagem dentro da noite, de Fernando Bonassi, Teste vocacional, de Paulo Bloise e Era uma vez... pela primeira vez, da organizadora Heloísa Prieto. Cada conto é acompanhado por uma ilustração muito sagaz de Graça Lima.
Um livro bem legal, interessante e divertido... desde que você não tenha que lê-lo com a obrigação de depois fazer uma prova a respeito do que leu!
https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2023/12/a-primeira-vez-gente-nao-esquece-nao.html