Primeiro título de um autor português escrito expressamente para a colecção “Literatura ou Morte”, Os Fantasmas de Pessoa explora alguns aspectos obscuros da biografia do poeta e a sua ligação às teorias ocultistas. Entre os destroços da derrocada de um edifício do centro histórico do Porto são encontrados dois cadernos ordinários com capas de cartolina preta. Um é o esboço de uma novela, pomposamente identificada como “romance”. O outro, o diário do autor do escrito. A uni-los há um traço comum: Fernando Pessoa é não só o objecto da ficção que explora alguns aspectos obscuros da biografia do famoso poeta português, mas vem também a ser utilizado, conforme explica o diário, enquanto elemento de uma campanha publicitária destinada a transformar Os Fantasmas de Pessoa num êxito instantâneo de vendas. Para tal, o misterioso autor dos dois escritos lança-se numa série de crimes que, acredita, acabarão por conduzir as autoridades à descoberta do seu “romance”, concedendo-lhe a ampla divulgação de que o anónimo escritor crê ser credor. Neste afã, o narrador-mitómano acaba por vestir a pele das personagens pessoanas, irrompendo quase como um seu heterónimo tardio – ou uma reencarnação, se acreditarmos que Ricardo Reis, Álvaro de Campos ou Bernardo Soares não são mais do que epifanias ao gosto das teorias ocultistas em que Fernando Pessoa acreditou; ou fingiu acreditar.
