O ponto da partida nos conta as agruras de um jornalista cinquentão em crise com a profissão e enfrentando atribulações em sua vida pessoal. Como pano de fundo, o Rio de Janeiro de início de milênio e histórias de redação de jornal salpicadas aqui e ali.
Repleto de personagens caricatas, forçações de barra, escolhas mal feitas (por exemplo, dizer que o que o protagonista queria era chegar em casa, tomar banho e ligar o ar condicionado, pouco depois de este mesmo protagonista ter dito que a tarde estava quente, mas nem tanto... que ainda era possível andar sem derreter...), diálogos construídos de maneira exageradamente artificial e soluções simples para os problemas apresentados, O ponto da partida é um convite constante ao abandono. E o prêmio para aqueles que o aguentam até a última página é um tolo final.
Obra de um autor respeitado (Fernando Molica foi duas vezes finalista do Jabuti), este livro, surpreendentemente, mais parece ter sido escrito por alguém que não sabe fazer literatura. Não vale à pena.
Trecho do livro:
"O animal passa por Ricardo e para diante do saco preto. Contorna o corpo, vai até a pedra. Esquadrinha o local, apura o olfato, olha para o sangue que brilha nas pedras. Roda mais uma vez em torno do cadáver. O dono, de costas, se alonga diante do posto de salvamento" (p. 96)