O essencial na poesia de J. Dellova é o amor visto em seu aspecto mais intenso, de tal forma que se torna um tema existencial, explicativo da própria vida. "Este amor que plenifica e transborda." As relações entre o homem e a mulher alcançam tal intensidade que ultrapassam o mero convívio cotidiano. "Somos metades que se completam." O lirismo de J. Dellova não se limita à descrição amorosa ("Estes cabelos, e esta pele..."), mas intenta captar as sutilezas inexprimíveis de seres que se integram para além da materialidade. "... espaços quaisquer para a plenitude / do espírito." A paixão aqui é o transbordar das configurações do corpo para as próprias camadas da alma. "... e também os olhos, e a boca, e as mãos / não teriam sentido de existir / senão para transbordar." E é através da poesia que essa unidade somática se faz, num jogo que funde o abstrato ao concreto, quanto é possível reconstituir o erótico na ênfase das palavras. "adentrei pelas pupilas / dilatadas com todos os meus versos." A experiência amorosa intui o que é abissal, "sou o ser que ama," o canto nascendo do aturdimento da realidade. "... destes mitos que se formam / e tomam os atos espontâneos." O sublime dentro do prosaico, a poesia depois da vivência, não em substituição, mas num processo de transfiguração. "O que me resta de puro é a poesia." A amada torna-se o mito que une o poeta ao mistério do mundo. "... estar com Você nesse Cosmo pleno e / liberto." Em síntese, o sopro erótico é a lira que se concretiza nos versos de "Amo", de J. Dellova. LUZ E SILVA
