Parte-se do pensamento de Durkheim sobre o suicídio, publicado no século XIX, segundo o qual, devido às grandes mudanças históricas (Revolução Burguesa, aprimoramento das técnicas de manufatura, etc.), não se pode mais considerar o suicídio como ato individual, isolado, fruto de um "distúrbio" específico de um ser em específico. Esse ato fatal se tornou sintoma de uma sociedade que se fundamentou sobre comportamentos autodestrutivos.
Os autores buscam, primeiramente, demonstrar quais são e como surgiram, historicamente, esses comportamentos autodestrutivos (como o armamento nuclear, a contaminação do planeta, a despersonificação urbana contemporânea, etc.), e como eles são refletidos no macro (sociedade como um todo) e no micro (família). Então, argumentam que essa nova lógica autodestrutiva se ramifica em comportamentos suicidas, que, ao encontrar um indivíduo "propenso", se concretizam no ato final.
É uma teoria bem interessante, e solidamente demonstrada. Houve uma preocupação tão grande com o desenvolvimento dos argumentos que, por vezes, a leitura se tornou bastante enfadonha.
Vale a leitura para quem se interessa pelo tema, visto que o analisa por uma perspectiva diferente (como um fenômeno global do nosso tempo, dos pontos de vista psicanálitico, antropológico, ...), e mais ampla (localizado historicamente e perceptível em muitos aspectos vida contemporânea).