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    Meu Reino Por Um Cavalo -

    Dias Gomes

    Bertrand Brasil
    1989
    99 páginas
    3h 18m
    ISBN-10: 8528600750
    Português Brasileiro
    4
    7 avaliações
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    Favoritos1Desejados12Avaliaram7

    Autor de "O Pagador de Promessas", sucesso mundial nos palcos e cinemas do mundo inteiro - e de inúmeras peças e novelas de televisão, lança agora "Meu Reino Por Um Cavalo". Uma comédia que ele classifica de caótica, mas que nos toca precisamente por ter muito sentido: a relatividade dos valores tidos e havidos como absolutos. Coerente em sua permanente repulsa à ortodoxia uniformizada, sua nova peça é uma "metralhadora giratória" que atinge diversos alvos numa só rajada.

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    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva22/06/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    “comédia delirante e caótica”

    Essa foi a penúltima peça escrita pelo genial dramaturgo baiano Dias Gomes, encenada pela primeira vez em 17 de maio de 1989, no Teatro Nelson Rodrigues, estrelada por Paulo Goulart, Nicete Bruno, Ângela Leal e grande elenco. Definida pelo próprio autor como uma “comédia delirante e caótica”, “Meu Reino Por Um Cavalo” traz como protagonista uma espécie de alter ego de Dias Gomes, o escritor Otávio Santarrita, que passa por uma severa crise existencial: “Você não tem dúvidas? Ninguém tem dúvidas? Todo mundo sabe para onde ir, o que fazer, por que lutar? Será que todo mundo acorda de manhã, escova os dentes, sai de casa, sabendo exatamente como ocupar o resto do dia de uma maneira que dê sentido à sua vida?” A crise de Otávio tem dois contrapontos principais. De um lado a crise familiar: seu casamento de mais de vinte anos com Selma está desmoronando diante da descoberta do caso de Otávio com a atriz Solange. Os dois filhos do casal também enfrentam graves problemas: Tavinho foi preso por dirigir sob a influência de drogas e Soninha, de 14 anos, está grávida e não sabe quem é o pai, dentre três ou quatro possibilidades. Em paralelo ao caos familiar, Otávio enfrenta a crise que para ele é a principal, de ordem artística e criativa. Autor de sucesso, ele não passa pelo temido “bloqueio de escritor”, muito pelo contrário: está escrevendo quatro peças ao mesmo tempo, mas não vê sentido em nenhuma delas. E aqui chegamos ao que creio ser o tema central de “Meu Reino Por Um Cavalo”: as múltiplas crises de Otávio espelham um mundo em ebulição, onde “tudo o que é sólido desmancha no ar” (como bem expressa o lapidar título do livro de Marshall Berman, de 1982): “O mundo mudou. Ou está mudando permanentemente, desordenadamente. Mudam também as formas de leitura, de percepção. Não é mais como no nosso tempo. Os jovens de hoje não leem mais. Só veem e escutam. Entende? Taí a televisão ordenando o caos e nivelando tudo. É preciso levar tudo isso em conta, se você quiser ser entendido.” É interessante notar que Dias Gomes está falando de um fenômeno social que continua acontecendo em nossos dias, de forma ainda mais intensa com o advento da Internet e das Redes Sociais. A ponto de essas profundas e incessantes transformações na maneira como as pessoas estão lidando com a informação deixarem de ser assunto apenas para escritores e comunicadores, mas tema de urgentes reflexões da sociedade como um todo. Vivemos na era das Fake News, que geram perigosíssimas abominações. Dito isso, resta ainda dizer que eu, como fã da dramaturgia elegante de Dias Gomes (autor de clássicos como “O Pagador de Promessas” e “O Santo Inquérito”), achei muito significativo ver como ele soube se manter antenado e sintonizado com sua época. Essa peça é recheada de palavrões e cenas de nudez, bem ao gosto do Brasil na segunda metade da década de 1980, ainda vivendo o a embriaguez e o desbunde da Abertura Democrática e do fim da Ditadura Militar. Uma última curiosidade: o título da peça foi retirado da célebre frase da peça “Ricardo III”, uma de minhas favoritas de William Shakespeare. A cena em que o arquivilão Ricardo propõe trocar seu vasto reinado por uma simples montaria, uma das mais marcantes da dramaturgia mundial, sintetiza de forma sublime a efêmera futilidade das ambições mundanas. E viva o Teatro! https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2021/06/meu-reino-por-um-cavalo-dias-gomes.html

    49 curtidas

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    Alfredo de Freitas Dias Gomes profile picture

    Alfredo de Freitas Dias Gomes

    Baiano de Salvador, Dias Gomes nasceu em 1922 e faleceu em 1999. Antes de enveredar para o universo da telenovela (onde já atuava sua mulher Janete Clair), Dias Gomes já tinha ganho notoriedade como autor teatral e projeção internacional graças à sua peça "O Pagador de Promessas" (1959). A peça, traduzida para mais de uma dúzia de idiomas, foi encenada em todo o mundo. Adaptada pelo próprio autor para o cinema, O Pagador de Promessas - dirigido por Anselmo Duarte - foi o 1º filme brasileiro indicado ao Oscar e recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962. Da mesma forma, "O Bem-Amado" foi a 1ª telenovela a cores da televisão brasileira. Em 1964, Dias Gomes foi demitido da Rádio Nacional, da qual era diretor-artístico - pelo Ato Institucional Nº 1 - enquanto O pagador de promessas estreava em Washington. A partir de então, participou de diversas manifestações contra a Censura e em defesa da liberdade de expressão. Ele próprio teve várias peças censuradas durante a vigência do regime militar (O berço do herói, A revolução dos beatos, O pagador de promessas, A invasão, Roque Santeiro, Vamos soltar os demônios ou Amor em campo minado). Fez parte do Conselho de Redação da Revista Civilização Brasileira desde seu lançamento, em 1965. Contratado, desde 1969, pela TV Globo, produziu inúmeras telenovelas, além de minisséries, seriados e especiais (telepeças). Apesar da censura, não interrompeu a produção teatral, e várias peças suas foram encenadas entre 1968 e 1980, destacando-se Dr. Getúlio, sua vida e sua glória (Vargas), em parceria com Ferreira Gullar, encenada no Teatro Leopoldina, de Porto Alegre, em 1969. Após seus primeiros sucessos na TV (Verão Vermelho e Assim na Terra como no Céu, no início dos anos 70), tornou-se um dos maiores autores da telenovela brasileira. Polêmico, criativo, sarcástico, conseguiu subverter a forma folhetinesca, desenvolvendo o drama e a comédia - sem os chavões tradicionais - com uma mistura de fantasia e realismo que caracterizam a sua obra teatral. São exemplos disso Bandeira Dois (1971), O Bem-Amado (1973), O Espigão (1974). Com Saramandaia, de 1976, criou o realismo fantástico na telenovela. Muito perseguido pela censura dos anos de arbítrio, conheceu um duro golpe ao ver sua novela Roque Santeiro impedida de ir ao ar em 1975. Por fim ela chegou aos lares brasileiros dez anos depois, tornando-se um dos maiores sucessos do gênero. A volta de Dias Gomes à dramaturgia teatral se dá em 1977, com As Primícias, "alegoria político-sexual" que vai à cena em 1979. No mesmo ano é lançado no Rio de Janeiro o seu primeiro musical de grande montagem, O Rei de Ramos, uma fábula cuja ação transcorre no mundo do jogo do bicho. Musicada por Francis Hime com letras de Chico Buarque, a peça é, como tantas outras de Dias Gomes, dirigida por Flávio Rangel. E em 1980 chega à cena Campeões do Mundo, texto no qual ele procede a um acerto de contas com a experiência histórica do regime autoritário, mostrando ao público as diferentes motivações dos jovens que optaram pela luta armada para se opor ao regime e brechtianamente estimulando o espectador a tirar suas próprias conclusões. Imortal da Academia Brasileira de Letras - eleito em 11 de abril de 1991, na sucessão de Adonias Filho e recebido pelo Acadêmico Jorge Amado em 16 de julho de 1991 - Dias Gomes morreu num acidente automobilístico em São Paulo em 18 de maio de 1999, com 76 anos.

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    Bahia, Brasil

    Alfredo de Freitas Dias Gomes