Nesse apanhado de três textos (e um que faz as vezes de conclusão), Sartre promove uma investigação que encara o antissemitismo sob diversas perspectivas: como o próprio judeu se enxerga (e suas tentativas de assimilação); como o comportamento antissemita se faz presente e ainda aponta, ao final, possíveis horizontes para combater esse mal.
O autor ressalta que, para além dos preconceitos e mentiras historicamente lançados contra os judeus, o antissemita, imbuído de nacionalismo, ligação à terra e seus costumes, enxerga o judeu como, justamente, o inverso disso - uma figura que estaria acima do amor à pátria que ocupa; que valorizaria o aspecto abstrato (e, como corolário, o dinheiro, em vez dos bens de raiz)...
O judeu, por outro lado, ainda que tente se inserir com os demais, sempre carrega o seu "judaísmo" e por ele será enxergado pelos outros. Poderá ser aceito, "apesar" de ser judeu, mas nunca plenamente integrado.
Uma figura apontado por Sartre no segundo texto dessa obra (o "democrata") é caracterizado como aquele que valoriza o "homem". Mas este, abstratamente considerado, não diz respeito às particularidades, angústias e paixões do indivíduo concreto - e, por conseguinte, não consegue combater propriamente o antissemitismo.
O judeu, em sua tentativa de integração, pode justamente se comportar como o "democrata" e, além disso, valorizar o que há de racional e universal. Todavia, como assinalado por Sartre anteriormente, são esses mesmos aspectos que são negados pelo antissemita. Nesse ponto, ligam-se discussões a respeito de existências autênticas e inautênticas.
Ao final, apontando possíveis horizontes, o autor assinala que uma revolução socialista, não fazendo mais distinção alguma entre os indivíduos, seria um remédio para combater aquele mal. Mas de nada adiantaria uma postura passiva, à espera dessa revolução. Deveria haver mobilizações em larga escala (internacionalmente falando) a fim de se combater, finalmente, o antissemita em seu próprio campo: o mundo concreto.