Depois de Rapsodia a Rawet (1997) e de Lenin nos subterraneos do Conic (1999), agora Bazzo apresenta à cidade e a seus leitores Os Sapateiros da Corte, um livro meio "psicanalítico", meio "antropológico" e meio "delirante".Um trabalho cheio de vigor que ao mesmo tempo em que nos abre os olhos para a beleza iconográfica de um ofício esquecido, constrói de maneira nova e independente a história da cidade e da Corte. Os Sapateiros de nosso dia-a-dia, esses homens que poucas vezes nos dignamos a olhar, estão aqui, dançando no meio de um texto com cheiro de labirintos. Um livro onde a máquina fotográfica e a caneta aparecem ligadas por uma astúcia estética. Os textos e os diálogos que o autor coloca na boca de seus entrevistados, talvez tenham,como função primordial, aliviar a sua própria angústia, por viver numa sociedade cretina e dissimulada. "Sapateiro, cuidado! não vá além das sandálias".
