Embora este livro esteja integralmente inserido nos "Grundrisse" (pelo que entendi), que será lido nos próximos anos, podemos afirmar no momento, ao menos de maneira generalizada, que as formações econômicas (e primitivas, que não são exatamente econômicas) acompanham as formações do homem enquanto ser social, desde o nomadismo, os ajuntamentos e agrupamentos de seres em determinados territórios, até o mercantilismo acentuado pré e pós-grandes navegações.
Ainda que tenha uma volumosa introdução de Eric Hobsbawn, o texto mesmo de Marx, aqui, não é tão extenso, e quem já experimentou a leitura do "Grundrisse" (ao menos parcial, no meu caso, ano passado) e de excertos da "ideologia Alemã", vai identificar, aqui, algo como um texto marxiano preparatório para outras obras - como os textos que Marx elaborava enquanto fazia suas pesquisas nas bibliotecas londrinas.
A crítica ao dinheiro (que ele vai distinguir de certo modo do conceito de "capital" nos seus livros da maturidade intelectual) reside no fato de o dinheiro acabar adquirindo uma importância muito maior que a propriedade dos homens/mercadores, sobretudo quando a moeda é estabelecida como meio de trocas econômicas. Ademais, o dinheiro é visto como um instrumento de "amarração" do trabalhador ao seu empregador - aquele, portanto, não é livre para sua própria produção, atrelando sua produção e sobrevivência à troca econômica de sua força produtiva pelo "capital" (dinheiro parco) da contrapartida dos patrões (o "nascimento" da burguesia, ou seja, dos artesãos e mercadores dos burgos, está muito bem salientado neste livro).
Livro recomendável para quem quer experimentar um Marx não tão prolixo e de entendimento razoavelmente fácil para leigos em questões de economia.