Santos e Pecadores - História dos Papas

    Eamon Duffy

    Cosac & Naify
    1998
    326 páginas
    10h 52m
    ISBN-10: 9724414442
    Português Brasileiro

    Uma obra notável, escrita num estilo cativante, que compreende num só volume a história extraordinária do papado, desde os seus primórdios, há quase dois mil anos, até ao pontificado de Bento XVI. Um périplo extraordinário pela história desta instituição. Nesta edição revista e atualizada, Eamon Duffy incluiu já os derradeiros anos de João Paulo II e a eleição de Bento XVI.

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    Leandro Moura14/09/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um livro esgotado que poderia muito bem ter sido reeditado

    O livro "Santos e Pecadores", do historiador irlandês Eamon Duffy, publicado pela editora Cosac e Naify em 1998 e nunca mais reeditado, é uma verdadeira preciosidade: formato grande (parece uma revista), ricamente ilustrado e com um papel refinado que lembra o das enciclopédias ilustradas dos anos 60/70. É quase UM CRIME não terem um reeditado esta obra-prima. O conteúdo é melhor ainda: uma história sucinta, mas extremamente densa do cristianismo primitivo até o catolicismo atual. Aborda questões teológicas e políticas profundas, mas sem perder o fio da meada (tarefa difícil). Não há um relato detalhado de TODOS os papas. No cristianismo primitivo, por exemplo, os que vieram depois de Pedro nem sequer aparecem, mas por um bom motivo: Duffy acha duvidoso que, naquela época, existisse a figura de um bispo de Roma que fosse considerado "maior" que os outros. O livro possui forte foco teológico, com citação de todas as principais heresias e conflitos religiosos. Também há um foco, mas menos proeminente, na política - ou melhor, na forma como a política moldava os pontificados ao longo dos séculos. O autor claramente possui seus papas preferidos e os relatos são bem equilibrados, destacando qualidades e defeitos. A única exceção é o relato do papa Leão XIII, que me pareceu excessivamente negativo. Duffy parece não enxergar uma única qualidade nele: Leão seria "intransigente"; "austero"; "distante"; "um opulento diplomata"; um papa que quis ser político, mas que nunca encarou a realidade política; "nunca em 25 anos trocou uma só palavra com seu cocheiro", enfim, um verdadeiro lobo conservador em pele de cordeiro liberal. Nem mesmo a "Rerum Novarum" escapa de sua ferocidade: é chamada de "paternalista" e "elementar" (ou seja, básica, simplista). E arrematou: "Muitos cristãos, muito católicos, nas décadas de 1880 e 90, vinham dizendo coisas mais penetrantes e desafiadoras". O curioso é que, na sequência, ele começa uma biografia toda elogiosa de Pio X, antes de atacá-lo pela paranoia anti-modernista. Desculpa, mas ficou destoante. O autor chega às raias da condescendência com papas mais controversos, como Pio XII, mas trata Leão XIII de uma forma excessivamente severa. Porque essa diferença no tratamento? Eamon Duffy faz Leão XIII parecer detestável, quase um Alexandre VI do século XIX. Foi realmente a parte que eu menos gostei no livro. Enfim, como esta edição da Cosac e Naify termina com João Paulo II, tive que dar uma olhada no original em inglês para saber como ele retratou o final do pontificado de João Paulo e seus subsequentes sucessores Bento XVI e Francisco. Como ele demonstrou tamanho ódio por Leão XIII, fiquei até com medo do que estava por vir. Felizmente ele consegui segurar a língua e escrever algo mais imparcial. Fiquei surpreendido com a densidade das discussões teológicas do papado de Bento XVI. Totalmente diferente do sensacionalista e horrorosamente enviesado "Dois Papas". Eu queria dar 5 estrelas, mas esse capítulo sobre Leão XIII realmente não dá pra engolir. PS: esqueci de mencionar. Tenho uma teoria plausível para a não reedição deste livro: é provável que Cosac & Naify tenha se utilizado de uma tradução de Portugal com estratégicas adaptações para o português do Brasil. Não tenho como provar porque não consultei a edição portuguesa, mas, por exemplo, Lyon aparecia como "Lião" e Bento aparecia como "Benedito", o que me parece BEM suspeito.

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