Cem Mil Marmitas De Gelo -

    Giulio Bedeschi

    Flamboyant
    1968
    286 páginas
    9h 32m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    100 mil italianos das divisões alpinas partiram para a frente russa no outono de 1942. Deles apenas alguns milhares regressaram em março, depois de terem percorrido, em retirada muitas centenas de quilômetros a pé na neve, sem viveres, sem transportes, quase sem armas, em meio a incessantes combates sob uma temperatura que oscilava entre trinta e quarenta graus abaixo de zero. A Julia, divisão à qual pertencia o autor, perdeu 18.000 dos seus 20.000 homens. Um corajoso relato dos combatentes que eram vistos pelos alemães como de "segunda categoria" (eram mal comandados e mal equipados, isso é fato) e que Hitler chegou a culpar pela ruptura da frente em Stalingrado, já que foi no setor defendido pelos italianos que espertamente os russos lançaram o peso maior da ofensiva final no setor de Stalingrado, isolando de vez o Sexto Exército alemão na cidade.

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    Albert Anderson29/10/2017Resenhou um livro
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    Drama no inferno branco

    Cem Mil Marmita de Gelo trata-se da retirada a pé do front leste de 100 mil italianos da divisão alpina que estiveram combatendo os russos. O foco da obra não são as batalhas e operações militares, mas a extenuante e apavorante jornada para o oeste enfrentando frio extremo, fome, falta de transportes e ataques de tropas russas. O livro é quase como uma crônica de uma fuga. Me chamou a atenção o tipo de narrativa. Narrado em terceira pessoa, Bedeschi é como um espectador, um observador descrevendo os fatos. Pela forma como foi construído o texto, a narrativa e a forma como o autor aborda o evento a impressão é de estarmos lendo um romance de guerra. Bedeschi escreve bem e com fluidez. Conforme avançamos na leitura, a história é até certo ponto previsível. Embora sejam poucas vezes, o autor é repetitivo nas circunstâncias do evento, logo, já antecipamos o que pode acontecer nas próximas páginas. A história em si é interessante, prende a atenção, mas falta algo que, desenrolando em grandes eventos impactaria mais o leitor. O que traz um pouco mais de expectativa é nos momentos em que os italianos encontram um povoado, abrigos para que possam descansar. É neste momento que o livro fica melhor com o desdobramento dos eventos como o comportamento dos moribundos, a reação dos civis russos, possíveis ataques de tocaia, a procura por comida e outros fatos. Já quando a tropa parte novamente na jornada no inferno branco, a obra perde um pouco da consistência. Mas a narrativa durante a fuga também tem suas qualidades com os desdobramentos dramáticos embora com menos intensidade junto ao leitor. É natural o próprio escritor não dispor de muitos eventos para construção do texto diante do nada, apenas de um horizonte sem fim na imensidão da estepe de neve. É nesse ponto que Bedeschi ainda se saiu bem descrevendo o sofrimento e seu contexto, quase como uma crônica. O livro é um testemunho interessante do ponto de vista do drama. O que essas tropas enfrentaram foi terrível. É uma demonstração de persistência mesmo com todas as condições desfavoráveis.

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