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    A Ilusão da Alma - Biografia de uma Ideia Fixa

    Eduardo Giannetti, Eduardo Giannetti

    Companhia das Letras
    2010
    253 páginas
    8h 26m
    ISBN-13: 9788535917055
    Português Brasileiro
    3.9
    88 avaliações
    Leram162Lendo12Querem174Relendo2Abandonos3Resenhas6
    Favoritos14Desejados174Avaliaram88

    "A ilusão da alma é o relato em primeira pessoa de uma perturbadora conversão filosófica. Após a retirada de um tumor cerebral que o deixa parcialmente surdo, um jovem professor de literatura, especialista em Machado de Assis, isola-se do mundo e passa a viver, entre livros e livros, absorvido por uma paixão intelectual: o estudo da relação entre o cérebro e a mente. Do embate entre Sócrates e Demócrito no iluminismo grego do século V a.C. aos achados e espantos da moderna neurociência, a trama do livro descreve passo a passo, com detalhe e precisão, mas sem perder a visão de conjunto, a viagem de descoberta do narrador pela história das ideias. A aventura, contudo, tem um desfecho inesperado, pois à medida que avança nos estudos o protagonista se descobre nas malhas de um credo obsessivo e aterrador: a ideia de que tudo que lhe passa pela consciência - suas alegrias e tristezas, suas memórias, temores e esperanças, seu senso de identidade e sua sensação de liberdade ao agir no mundo - nada mais é senão o produto da atividade de bilhões de células nervosas situadas em seu cérebro. A paixão de conhecimento que nele desperta após a cura do tumor físico dá lugar a um tumor metafísico - uma crença despótica alojada no cerne da consciência anfitriã. Urdindo com engenho ficção e ensaio, relato confessional e argumento filosófico, A ilusão da alma é uma meditação corajosa sobre a condição humana - uma sinfonia contrapontística sobre a incerteza e a fragilidade do que estamos habituados a crer e pensar sobre nós mesmos. Um livro, em suma, endereçado a todos aqueles que, independentemente de formação acadêmica ou ocupação profissional, mantêm viva a chama de uma irrefreável curiosidade em torno daquilo que o enigma humano, desvendado, possa abrigar. “Para encontrar a alma”, dizia o neuropsicólogo russo Alexander Luria, “é necessário perdê-la”. O risco, entretanto, como atesta o drama do narrador deste livro, é fazer da ciência uma religião; é perder a alma para não mais encontrá-la. E se a busca da verdade científica sobre o Homo sapiens resultar na descoberta do nosso autoengano cósmico? E se a retidão cognitiva desaguar, por fim, na loucura? O que prevalece: a verdade a todo custo ou a sanidade mental?"

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    Luciene Costa  picture
    Luciene Costa 31/08/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A Ilusão da Alma - biografia de uma ideia fixa

    Há dois tipos de perguntas cujas respostas dão o tom de nossas vidas, em maior ou menor grau: perguntas que admitem - e até exigem - uma única resposta objetiva verdadeira e perguntas que não exigem - nem admitem - este tipo de resposta. No primeiro tipo estão perguntas como "qual é a origem do universo?", "o sol gira em torno da terra?", "há deuses no universo?". No segundo tipo, temos perguntas como: "a mulher deve ou não usar burka?", "o divórcio deveria ser permitido?", "Como devo viver minha vida?" O livro de Eduardo Giannetti fala de um momento de encontro entre os dois tipos de pergunta: a do primeiro tipo, "qual é a relação mente-cérebro?"; a do segundo, "Quais as possibilidades de minha subjetividade, independente da resposta à pergunta anterior?" Ainda que a neurociência esteja certa em suas conclusões, nossa consciência de nós mesmos, que habita nossa mente, sempre existirá. O que fazer dela? Deixar de vivê-la como tal por nos sabermos mero epifenômeno do funcionamento de um cérebro que vem evoluindo desde a pré-história? Não penso ser esta uma escolha possível para mim. "Escolha" é uma palavra importante, porque é em torno da inexistência do livre-arbítrio que cresce o tumor metafísico da personagem criada por Giannetti. Após sua conversão ao fisicalismo, ele deixa de acreditar poder escolher qualquer coisa, sabendo-se (ou supondo-se) mero fantoche auto-iludido de processos bioquímicos que têm lugar no cérebro, que "escolhe" por ele. A escrita de Giannetti é envolvente, como sempre, e, por vezes, convincente. Os dados científicos podem ser pesquisados por qualquer leitor curioso. Sou capaz de admitir que nossa liberdade seja bem menor do que acreditamos que seja - e devo dizer que esta questão já aparece, aqui e ali, até mesmo em cursos de graduação de filosofia, ainda que de forma superficial - mas não penso seriamente na possibilidade de que vivamos totalmente desprovidos de livre-arbítrio. Penso que sempre poderemos escolher, em maior ou menor grau, o que fazer de nossa subjetividade. Penso também que o próprio Eduardo Gianetti concorda com essa afirmação, já que, ao imaginar um futuro não muito distante onde essa subjetividade será manipulada por cientistas, ele expressa sua confiança em que saberemos usar a tecnologia com sabedoria e ética. Bem, a ética e o tipo de sabedoria que ela implica provêm de escolhas humanas conscientes. http://www.youtube.com/watch?v=dKuPhuvF3MQ

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 88
    • 5 estrelas27%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas26%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas0%
    Eduardo Giannetti da Fonseca profile picture

    Eduardo Giannetti da Fonseca

    Eduardo Giannetti da Fonseca é um economista brasileiro, formado na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) ambas da Universidade de São Paulo. Doutorado em economia pela Universidade de Cambridge, onde foi professor entre 1984 e 1987 e de 1988 a 2001. Lecionou na FEA/USP. Atualmente é professor integral no Ibmec São Paulo. Ganhador de dois prêmios Jabuti, em 1994 com o livro Vícios privados, benefícios públicos? (Cia. das Letras, 1993) e em 1995 com o livro As partes & o todo (Siciliano, 1995).

    14 Livros
    33 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Eduardo Giannetti da Fonseca