Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições0
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas1
    • Leitores62
    • Similares0
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Adelfos -

    Terêncio

    Conselho Estadual De Cultura
    1961
    124 páginas
    4h 8m
    Português Brasileiro
    3.5
    17 avaliações
    Leram39Lendo4Querem19Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos2Desejados19Avaliaram17
    Resenhas (1)Ver mais
    Thalya Amancio picture
    Thalya Amancio19/10/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Tipos de educação: a justa medida

    A peça teatral Os Adelfos, ou os irmãos, do famoso comediógrafo romano Terêncio, apresenta uma disputa entre dois irmãos, Dêmea e Micião, envolvendo ira, confusão, brigas, e principalmente, a discussão sobre qual educação que os dois ofereceriam a seus filhos seria mais efetiva: o primeiro, o irmão mais rígido e controlador, representante de uma educação mais próxima da preconizada e defendida pelos romanos mais tradicionais; e o segundo, um pai mais permissivo e libertino, que inclusive não se casou, contrariando os preceitos do que era aceito pela sociedade romana da época. É importante lembrar que Dêmea é pai dos dois filhos, Ésquino e Ctesifão, mas por não ter renda suficiente e viver no campo, abdicando de muitos objetos e sobrevivendo da forma mais simples possível, ele dá seu filho mais jovem, Ésquino, para que seu irmão, Micião, que ao contrário dele habitava a cidade, e teria mais condições de cuidar do seu outro filho, afinal não havia constituído família. Os dois irmãos sempre entram em embates, pois suas perspectivas, visões de mundo e de educação são diferentes. Dêmea educa Ctesifão rigidamente e controladamente, enquanto seu irmão criou o mais jovem da maneira mais livre possível. Cada um apresenta suas falhas, já que a rigidez e mesmo a liberdade aplicadas exarcebadamente, apresentam problemas: Ctesifão cresce covarde, não conseguindo agir por si próprio, pedindo ajuda a seu irmão. Ésquino não pensa em consequências e nem calcula suas ações. E para alcançar o que deseja, na maioria das vezes recorre aos escravos, que aliás contribuem para a sequência da história, afinal Siro será um mediador entre pais e filhos, ajudando a esconder segredos, a despistar Dêmea de descobrir que Ctesifão estava com a citarista roubada por seu irmão. Além dele, o escravo Geta, mensageiro de Sóstrata, a mãe da infeliz "atacada" por Ésquino, será outro importante mediador entre os personagens principais e a ação de tudo. Vê-se que nenhum personagem é jogado ao acaso, todos possuem sua função. Quando Ctesifão se apaixona por uma citarista, não conseguirá ele próprio ir até ela, pedindo auxílio de Ésquino, e o medo de repreensão de seu pai é revelado na peça. O irmão mais jovem, por sua vez, pela permissividade exagerada, nove meses atrás comete um crime: viola uma moça pobre, e assim, se compromete a casar-se com ela, mas acaba deixando de revelar para Micião, também por medo. Pode-se observar que ambas os ensinamentos dos pais irão encontrar barreiras, contudo, por se tratar de uma comédia, é claro que tipos humanos e suas ações seriam retratadas para que o público pudesse evitá-las; os personagens teriam problemas e mesmo ao fim da peça, continuarão a alimentar velhas faíscas de ira, diga-se de passagem. Dêmea resolve se vingar ao final de Os Adelfos, se tornando o libertino e obrigando Micião a praticar atitudes que ele não pretendia. Para o primeiro, essa seria a demonstração de que seu irmão só fazia o que os outros queriam porque queria afeto e carinho, e não porque desejava ajudá-los. Essa é a reviravolta da história: Dêmea deixa pra trás sua ira explosiva - usando como exemplo o que Sêneca escreveu em Da Ira - e resolve pensar racionalmente no comportamento de seu "inimigo", seu irmão. Micião por sua vez, mostrava orgulho e escondia seu vício com a máscara da indiferença. Muitos problemas são resolvidos: a moça violada por Ésquino se casará com ele. Dêmea descobrirá que seu filho, Ctesifão não está totalmente isento de cometer erros, mesmo que ele tenha o ensinado e protegido, teoricamente, deles ao ensiná-lo pela rudeza, controle e descobrindo a paixão de seu filho pela citarista, o deixará ficar com ela. Qual seria então a melhor educação, visto que os dois pais erraram? Antes de tudo, um equilíbrio entre ambas seria a melhor escolha, tal como defendiam os romanos: a justa medida. O que podemos inferir é que Terêncio teve um objetivo ao passar a mensagem necessária de equilibrar ações e agir com sabedoria.

    curtir

    Estatísticas

    Avaliações

    3.5 / 17
    • 5 estrelas18%
    • 4 estrelas24%
    • 3 estrelas53%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas0%
    Publius Terentius Afer profile picture

    Publius Terentius Afer

    Terêncio, Publius Terentius Afer, (ca. 184 a.C. — 160 a.C.) foi um dramaturgo e poeta romano, autor de seis comédias ao todo, sendo elas Andria (A moça de Andros), Hecyra (A Sogra), Heaautontimorumenos (O Punidor de Si Mesmo), Eunuchus (O Eunuco), Phormio (Formião) e Adelphoe (Os Dois Irmãos). É atribuída a Terêncio a autoria das famosas frases: "Nada do que é humano me é estranho", e "Enquanto há vida, há esperança".

    10 Livros
    7 Seguidores

    Publius Terentius Afer