PETTERSON, Per. Cavalos roubados. Campinas, SP. Versus. 2010. 253 p.
Per Petterson é autor de vários romances, sendo Cavalos roubados o mais conhecido e o único livro publicado no Brasil. Já atuou como bibliotecário, livreiro, tradutor e crítico literário. Cavalos Roubados foi ganhador de diversos prêmios e traduzido para quarenta idiomas.
A obra possui uma adaptação cinematográfica, mas não encontra-se disponível em nenhum sistema de streaming, seu título original é “Ut og stjæle hester” (2019) e foi avaliado com 2,5 estrelas, (regular) segundo o adorocinema.
Conheci cavalos roubados por meio de um reels no instagram, no qual dispunha de uma citação do livro, pesquisei mais sobre e comprei em um sebo. O livro como todo tratará acerca da história de Trond Sander, um homem de 67 anos que se muda para uma região muito distante da cidade, busca viver em paz e sozinho, contando apenas com uma cachorra que decide adotar.
O título se dá por conta de um momento na história em que os personagens vão roubar alguns cavalos, contudo, não no sentido literal que a palavra roubar possui, mas no sentido de “empréstimo”, os dois amigos pegam esses cavalos e vão brincar, cavalgar com eles, e este momento é tão único para Trond (personagem principal) que acaba sendo sua lembrança mais bonita na vida.
O livro oscila entre o passado e o presente (característica recorrente em outros livros do autor), algumas pessoas estranham essa forma de escrita e de fato é um pouco difícil de acompanhar, visto que é necessário estar atento aos acontecimentos, mas ainda assim a obra consegue se sobressair e fluir em grande parte do livro. O autor sempre está descrevendo os fatos do personagem no presente como homem de 67 anos, mas em seguida volta aos seus 13 anos, seu eu do passado. Trond relata sobre sua infância/adolescência e principalmente o relacionamento que havia construído com seu pai, mas infelizmente ele acaba abandonando a família e ocasionalmente o menino (Trond) começa a se sentir sozinho e desamparado.
O livro é uma mistura de drama, tristeza, um pouco de monotonia e muita sensibilidade, esses sentimentos são muito comuns em grande parte do enredo. De início é relatado sobre um amigo de Trond que assassina o irmão de forma não proposital, pois não sabia que a espingarda estava carregada e isso será relembrado por muitos anos na história. Tempos depois, o personagem principal encontra esse colega e desenvolve novamente a amizade perdida, já com 67 anos e sozinho, este amigo acaba sendo sua única companhia.
É uma história que nos faz refletir a respeito da solidão, sobre como algumas pessoas na vida por suas próprias escolhas acabam sozinhas. E isso é fato, são as escolhas e consequências, mas Petterson retrata de um jeito simples e melancólico. Isso faz com que o livro não fique tão longo, mas continua sendo uma obra que nos produz sentimentos de pesar e angústia.
Recomendo a obra, se deseja mergulhar neste mundo Noruegês, há muitas palavras de rios, cidades, lugares, que sinceramente não entendi nada, visto que não possuo conhecimento sobre tal região, no entanto foi uma boa experiência.
Tenho muita preguiça de fazer resenha, mas esse livro me pediu. Em algumas pesquisas vi que o mesmo não era tão comentado e reconhecido, mas penso que algumas obras merecem mais visibilidade, essa considero uma delas.
Dê uma chance e leia Cavalos Roubados.