A Laranja Mecânica -

    Anthony Burgess

    Almedina
    1991
    175 páginas
    5h 50m
    ISBN-10: 972440790x
    Português

    Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex - soberbamente engendrada pelo autor - empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de "1984", de George Orwell, e "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, "Laranja Mecânica" é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo. Agora em nova tradução brasileira

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    Sofia Chalegre05/06/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Tão estranho quanto uma laranja mecânica!

    Este foi o primeiro livro que li em inglês (mesmo estudando a língua há nove anos) e devo dizer que estou felicíssima com a escolha. Foi com certeza um desafio lê-lo, principalmente no começo, e ter que consultar o glossário inúmeras vezes e o dicionário mais ainda. Porém, ao longo do livro foi interessante perceber que a leitura fluía tão perfeitamente que eu já não precisava tanto do dicionário e que já havia incorporado toda a linguagem nadsat (inventada brilhantemente pelo autor, derivada principalmente do russo) ao meu vocabulário. Enquanto eu o lia, dizia a mim mesma o tempo todo "Ainda bem que eu estou lendo em inglês!", e não dizia em vão. Os recursos linguísticos usados por Burgess são, muitas vezes, sutis mas indispensáveis, de modo que mesmo em uma tradução extremamente bem feita perde-se muito da obra. Apesar da 'ultra-violence' contida no romance, e de todas as vis características atribuídas à personagem principal, Alex, é quase impossível não se ver atraído por todo esse universo e cativado pela personagem. Burgess constrói a narração feita por Alex de modo tão perfeito que não há como duvidar de que aquelas são realmente as palavras de um nadsat adepto da 'ultra-violence'. Essa narração prende o leitor, que se acostuma com o célebre 'O my brothers' e se diverte com o 'Your Humble Narrator' ou 'YHN'. Por fim há a transformação, através do chamado 'Ludovico's Method', de Alex em uma 'clockwork orange', ou seja, em incapaz de escolha moral (algo aparentemente orgânico mas na verdade mecânico), e o final do romance. Ambos fazem desta distopia além de divertida, assombrosa e assustadora, uma sátira política, satirizando principalmente regimes políticos extremos, controladores e totalitários. (Recomendo não só o livro como também o filme de 1971!)

    10 curtidas

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