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    O Mau Vidraceiro -

    Nuno Ramos

    Editora Globo
    2010
    265 páginas
    8h 50m
    ISBN-13: 9788525048769
    Português Brasileiro
    3.4
    14 avaliações
    Leram31Lendo2Querem35Relendo0Abandonos2Resenhas2
    Favoritos3Desejados35Avaliaram14

    O mau vidraceiro – cujo título foi retirado de uma das narrativas de Baudelaire nos Pequenos poemas em prosa – é uma reunião de 61 contos em que o artista plástico consagrado e escritor premiado Nuno Ramos matura o domínio dos seus meios literários, levando a arte fundamentalmente moderna da micronarrativa a um grau de apuro poucas vezes alcançado. Se nas dimensões de parte dos textos o livro pode ser comparado, em termos brasileiros contemporâneos, aos de um Dalton Trevisan, a prosa de Nuno Ramos se diferencia, primeiro, por um maior rigor textual. Diferencia-se também por uma temática mais variada, que vai da realidade mais imediata à metafísica, passando pela política. Ainda, traz um estilo multiforme, a fim de dar conta de tal variedade: assim, cenas urbano-existenciais como “A glória” convivem com belas prosas poetizadas como “Ninguém”, que por sua vez convivem com a miséria escatológica de “A velha”. Também nas dimensões há variação, pois os contos podem ser verdadeiramente minúsculos, com apenas um parágrafo, ou conter “extensas” três ou quatros páginas. O que não varia é a referida precisão textual. Nuno Ramos é um autor atento às minúcias do estilo, assim como à sua fluidez. Tais elementos garantem aos seus contos características de uma peça de prosa ficcional cujo todo pode e deve ser apreendido pelo leitor em seu conjunto, como, no campo literário, um poema, ou no campo escultórico, a forma-volume de um ovo. Tudo somado, à vasta genealogia dessa arte essencialmente moderna que é a micronarrativa (Baudelaire, Tchecov, Kafka, Cortázar, Trevisan etc.), com suas características velocidade e fragmentariedade – mas que também inclui a antiga arte das pequenas fábulas e parábolas tradicionais –, deve-se ainda acrescentar, no caso de Nuno Ramos, o nome de Gustave Flaubert, o escritor da “palavra exata” (“le mot juste”), que “esculpia” cada parágrafo como um poeta apura um verso, sem porém perder a necessária referencialidade da prosa, linguagem “realista” por excelência.

    Resenhas (2)Ver mais
    Aguinaldo Medici Severino picture
    Aguinaldo Medici Severino14/03/2011Resenhou um livro
    3 (Bom)

    o mau vidraceiro

    Em "O mau vidraceiro" Nuno Ramos reuniu 62 contos. A maioria deles tem uma ou duas páginas, concisos e diretos que são. Gostei particularmente de um punhado deles: "deusa gorda", "o deus leitor", "quem fala?", "regras para a direção do corpo", "angenor", "separação", "autoajuda", "o último ofício", "os lutadores". Não são exatamente histórias, mas sim idéias que funcionam como uma espécie de aforismo encorpado, reflexões que se recortam e se oferecem ao leitor. Ele fala sempre do estranho que é o comportamento humano, do bizarro que há nas justificativas dos homens para seus atos. Há experimentação formal no texto e uma boa dose de inventividade nos temas que ele escolhe. Os dois textos mais longos, "testamento" e "o amor varre tudo", são muito bons. Não é um livro exatamente fácil de se ler, mas o leitor ganha e se diverte muito com seu esforço. Ainda estou as voltas com um outro livro de Nuno Ramos (Ó). De alguma forma eles dois se comunicam, mas eu preciso terminr o Ó (parece um mantra isto) para poder pensar direito. Veremos. [início 20/10/2010 - fim 01/03/2011] "O mau vidraceiro", Nuno Ramos, São Paulo: editora Globo, 1a. edição (2010), brochura 14x19 cm, 265 págs. ISBN: 978-85-250-4876-9

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    3.4 / 14
    • 5 estrelas14%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas21%
    • 1 estrelas0%
    Nuno Álvares Páscoa de Almeida Ramos profile picture

    Nuno Álvares Páscoa de Almeida Ramos

    Escultor, pintor, desenhista, cenógrafo, ensaísta, videomaker. Nuno Álvares Pessoa de Almeida Ramos cursou filosofia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo - FFLCH/USP, de 1978 a 1982. Trabalha como editor das revistas Almanaque 80 e Kataloki, entre 1980 e 1981. Começa a pintar em 1983, quando funda o ateliê Casa 7, com Paulo Monteiro (1961), Rodrigo Andrade (1962), Carlito Carvalhosa (1961) e Fábio Miguez (1962). Realiza os primeiros trabalhos tridimensionais em 1986. No ano seguinte, recebe do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP a 1ª Bolsa Émile Eddé de Artes Plásticas. Em 1992, em Porto Alegre, expõe pela primeira vez a instalação 111, que se refere ao massacre dos presos na Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru) ocorrido naquele ano. Publica, em 1993, o livro em prosa Cujo e, em 1995, o livro-objeto Balada. Vence, em 2000, o concurso realizado em Buenos Aires para a construção de um monumento em memória aos desaparecidos durante a ditadura militar naquele país. Em 2002, publica o livro de contos O Pão do Corvo. Para compor suas obras, o artista emprega diferentes suportes e materiais, e trabalha com gravura, pintura, fotografia, instalação, poesia e vídeo.

    21 Livros
    2 Seguidores
    São Paulo , Brasil

    Nuno Álvares Páscoa de Almeida Ramos