Neste livro, escritores, psiquiatras e filósofos franceses analisam a figura mítica de Caim.
Abel é a imagem de Cristo. Ambos morreram sem deixar descendência. Então, toda a humanidade descende de Caim, não? É como diz Freud, citado a certa altura do livro: “Todos nós nascemos de uma longa linhagem de assassinos.”
A lenda de Caim e Abel aparece também na mitologia romana, através da história da fundação de Roma. Rômulo, que pode ser comparado a Caim, mata Remo [que não respeita um limite de terra demarcado pelo irmão] quando decidem construir a cidade. Quer dizer, há uma forte relação entre assassínio e fundação na história da civilização.
Como lembra Marx, em O Capital, “o criminoso não apenas cria crimes: é ele que cria o direito penal (...).” Caim, o primeiro assassino (e fratricida, ainda por cima), vai gerar uma linhagem prestigiada de construtores, poetas, músicos e ferreiros. A imagem negativa senão atroz que nosso imaginário guardou de Caim é toda desmontada neste livro.
Semelhante a ele temos o já citado Rômulo na mitologia romana, Odin no panteão germânico, e Hefesto no grego, todos temíveis e ao mesmo tempo criadores.
O livro de Jacques Hassoun e colaboradores, não é lá leitura muito fácil de ser digerida. Mas nem por isso deixa de ser bastante interessante.
Lido entre 14 e 22.06.2012.