É o próprio homem que cria os valores em que acedita - e que depois vê neles algo de transcendente, eterno e verdadeiro. Os valores, no entanto, nada mais são do que algo "humano, demasiadamente humano". O alemão Friedrich Nietzsche, que se dedicou no final do século XIX a uma crítica radical da civilização, traça um percurso ideológico em que o Ocidente passa pelo primado da moral e da religião e chega ao niilismo, com a consequente descrença nos valores, a morte de deus, o fim do "mundo-verdade" inaugurado pelo platonismo. Ele se vê como o niilista perfeito, que supera o niilismo e anuncia o advento do super-homem, o indivíduo capaz de desprezar as ilusões de um mundo transcendente e de dizer sim à vida.
