[Alerta para possíveis gatilhos]
Natascha Kampusch não esperava o que iria acontecer com ela naquele dia 2 de março de 1998 e nem onde iria ficar e tudo o que iria viver nos próximos 3096 dias enquanto foi mantida em cativeiro.
O livro é narrado em primeira pessoa, de forma documental, a linguagem é simples, mas é pouco fluído, já que se trata de um relato contado por Natascha.
Chega a ser difícil imaginar o que Natascha passou durante os mais de oito anos em que ficou presa. E nesse livro ela relata como foi sua infância, já bem dolorosa, por sinal, desde a sua relação com seus pais, na escola, até com seu corpo. Relata a forma que aconteceu o seu sequestro e resumiu como foram esses 3096 dias.
Nem sempre há uma progressão gradual na cronologia do que acontece, podendo dar algumas voltas entre passado e o presente em que ela está contando, entregando as respostas antes de chegar de fato nessa parte da narrativa, o que faz, em alguns momentos, ser necessário parar para se situar.
Seria imprudente dizer que os relatos e a violência, tanto física quanto mental sofrida por Natascha não foram pesados, mas o foco não está em expor somente isso, ela faz muitas análises e conta como era sua vida nesse período. As concessões, seus passatempos e claro, como o sequestrador proporcionou isso e ao mesmo tempo utilizou essas coisas como forma de poder e manipulação.
Ao final, Natascha faz uma análise bem interessante de como as outras pessoas agem ao lidar com alguém que passou por uma tortura tão grande e a resposta é: de forma egoísta, pois só quem viveu esses traumas é capaz de saber realmente como é, e mesmo com todo o sofrimento, a vítima ainda pode ser julgada se não agir conforme as outras pessoas esperam...
Foto e resenha no meu IG, @marlonbsan, segue lá.