Nesta edição, depois do final do primeiro arco de DMZ, a série ganha uma folga de um mês e em seu lugar entra uma história fechada de Astro City, um dos mais aclamados quadrinhos americanos, criado por Kurt Busiek e vencedor de vários prêmios Eisner e Harvey. No mês que vem DMZ está de volta. Já as outras três séries da revista continuam com tudo. Promethea continua sua jornada pelo mundo de Imatéria e começa a conhecer cada vez mais os detalhes do que está acontecendo com ela, enquanto no mundo real seu corpo repousa no hospital e ao redor dele coisas estranhas acontecem. Constantine já se enturmou na cadeia, mas agora vai descobrir que tudo tem um preço lá dentro e que as vezes uma amizade pode custar caro demais. E Planetary mais uma vez traz uma história inovadora e um tanto quanto maluca, quando Snow procura uma velha amiga para ajudá-lo a encontrar respostas para perguntas muito antigas.
Pixel Magazine 9 -
Varios
Um barranco levando ao pós-modernismo niilista
Promethea #6 tem a segunda tutora da Sofia. A primeira era de Copas (compaixão), e na verdade essa segunda (dos pulps) que é a de espadas. Não em termos literais, mas sim na análise racional, incisiva e cortante. A decomposição da realidade em etapas, no estilo Método de Pascal. O ambiente de pulps é ridicularizado como sendo algo pobre narrativamente e degradante para as heroínas retratadas nas capas. Está subentendido que a tal Promethea dos pulps ficou décadas sendo dominada pelo narrador onipotente. Se ele era tão ridículo, foi curioso ela não ter conseguido sair desse cenário antes. Ou a tal questão da imaginação é que tenha fortalecido esse tal pseudônimo. A trama paralela dos 5 caras legais parece apenas estar lá, mas nunca se sabe. Ela acaba sendo responsável por uma quase quebra na quarta parede. Onde a personagem fala (e ofende) diretamente com o nerd leitor de quadrinhos. É uma característica pós-moderna de sentir repulsa pelo que seria, em tese, o público consumidor da revista. O seriado da She-Hulk trilharia um caminho parecido, com resultados previsíveis. Hellblazer #148 mostra como Constantine gerencia o sistema maquiavélico de uma prisão norte-americana. Em suma, ele age conforme o padrão Azzarello: conversa em reservado com todas as partes, para que todo mundo se ataque no processo. Ao menos esse foi o plano na mini-série do Cage, feita pela mesma dupla. No final dessa parte do arco "Na Cadeia", vemos que a situação complicou bastante. Planetary #21 tem o Snow participando de um ritual esotérico. Mas o roteirista faz questão de demonstrar como ele é intelectualmente superior a todos que vieram antes dele, e afirma que isso é pura ciência. Joga uns termos teóricos da física contemporânea. Afirma que as sociedades arcaicas acreditavam em idiotices. Que Delfos era apenas um efeito alucinógeno. E que o transhumanismo é o caminho mais coerente a ser seguido. Todo o resto é animalidade vinda de um passado ignóbil. E que nós, a humanidade do século XXI, é que temos a sabedoria suprema. É curioso notar como essa edição ressoa com a mensagem passada na edição anterior de Promethea: o mundo físico é uma mera limitação a ser ultrapassada. Que o que importa é apenas o que virá depois disso. Que criaremos um céu celeste, eterno, sem possibilidade alguma de imperfeições. O transhumanismo é uma seita gnóstica apolônica potencialmente danosa para a cultura contemporânea. O papo mais recente (e aclamado por alguns) envolve os tais "úteros artificiais" que nos levariam a um futuro idílico. Pessoalmente, acredito apenas que estão tentando criar uma sociedade no estilo Bene Tleilax. Kurt Busiek's Astro City #1 tem toda cara de edição "free comic book day" ou edição número zero. Mostra um pouco como funciona essa cidade, sob o ponto de vista de uma família recém chegada. Me pareceu uma versão aguada do universo Marvel, com sua Nova York recheada de seres super poderosos. Se for assim, é melhor ver o material original. Outra característica em comum dessa edição com Promethea e Planetary são as referências ao estilo Family Guy. Obras que tentam se sustentar sendo reimaginações de outras já existentes. Promethea tem um uso mais esperto nessa parte, pois cria um tema original (ligado com cabala e bruxaria), embora seja igualmente pós-moderno.
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