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    Eu vos abraço, Milhões -

    Moacyr Scliar

    Companhia das Letras
    2010
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788535917390
    Português Brasileiro
    3.8
    358 avaliações
    Leram615Lendo20Querem200Relendo0Abandonos10Resenhas11
    Favoritos29Desejados200Avaliaram358

    A primeira paixão de Valdo foi a leitura. A leitura o aproximou de Geninho. E Geninho o apresentou ao comunismo. A ideia de que a desigualdade fosse uma injustiça e de que houvesse pessoas lutando pelo fim da opressão social mudou a vida do garoto. Decidido a entrar para o Partido Comunista, Valdo abre as porteiras da estância e cai no mundo. Levando poucos pertences e quase nenhum dinheiro, embarca clandestinamente num trem com destino ao Rio de Janeiro. Na Cidade Maravilhosa, acredita, o lendário líder do Partido, Astrojildo Pereira, haverá de recebê-lo de braços abertos para conduzi-lo em pessoa às fileiras da militância, onde finalmente sua vida ganhará sentido. Mas Astrojildo não está no Rio. Foi a Moscou, sem data para voltar. E Valdo não tem dinheiro. Em vez de lutar para libertar a classe oprimida, torna-se ele próprio um assalariado, operário da construção. Para piorar as coisas, na obra que culminará num imenso ícone da alienação: o Cristo Redentor. Quadro vívido e fascinante do Brasil na virada para a década de 30, Eu vos abraço, milhões é uma leitura imperdível, que reúne a Coluna Prestes e a Revolução de 30 às reflexões, perplexidades e fantasias de um personagem inesquecível.

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    Valdeci Cunha de Souza picture
    Valdeci Cunha de Souza05/02/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Utopias e realidades

    Quem, na juventude, não teve anseios de querer mudar o mundo? Quem não sonhava, em sonolentas madrugadas, a empunhar bandeiras revolucionárias com vigor e coragem? Nas décadas de 10… 20… 30 muitos jovens, com certeza, tinham esta visão de serem os heróis da pátria e salvadores do mundo. Afinal, eram anos conturbados (revolução Russa, comunismo em ascensão, queda da bolsa, Getúlio no poder, etc…) e o mundo transformava-se e multidões de jovens e inconformados saiam às ruas (e eram perseguidas, mortas ou sumiam da vista de familiares e amigos) para protestar e revolucionar conceitos e comportamentos. Anos de chumbo e de transformação. Estes pensamentos utópicos começaram a fervilhar na cabeça do jovem Valdo nos idos anos 30. Ser filho de um humilde capataz naqueles tempos não era nada fácil. Após ver o pai ser humilhado pelo dono das terras ele tinha um só pensamento: Vingar-se da humilhação e acabar com o poder econômico e dar ao proletariado (palavra que só foi conhecer bem depois através da leitura de livros comunistas) o comando dos destinos do mundo. Grande utopia, claro. O destino tinha outros planos para este jovem idealista… Por ironia do destino (e a sempre genialidade e veia cômica de Scliar) o jovem Valdo – comunista ferrenho e grande leitor de Marx e Lênin – foi trabalhar no lugar mais improvável possível: Na construção do Cristo Redentor! Pior castigo para um comunista impossível. Apesar de tudo, Eu vos abraço, milhões de Moacyr Scliar não é um livro pessimista. Longe disso. A realidade que o cotidiano impõe ao herói da história (e a nós, seus leitores) é que é dura. É preciso comer, beber, ter onde morar, o que vestir, etc… e isto são comuns a qualquer mortal (comunista ou burguês). Claro que é preciso sonhar, ter objetivos na vida. E Valdo os tem de sobra através da sua literatura esquerdista e seus sonhos de salvador da pátria e defensor de fracos e oprimidos. Uma narrativa que empolga e leva o leitor a procurar entender as razões das escolhas de Valdo na sua jornada a se tornar um comunista (ou não). Afinal, a vida é feita de escolhas e Moacyr Scliar vai desfiando sua genialidade em cada página com seus personagens reais e imaginários e em histórias reais ou ficcionais. Aliás, a ambientação histórica é quase um personagem deste livro que se lê de um fôlego só. Ao chegar à última página, lembrei da composição de Elis Regina: “Como Nossos Pais” que, entre outras verdades, escreve: Minha dor é perceber Que apesar de termos Feito tudo o que fizemos Ainda somos os mesmos E vivemos Ainda somos os mesmos E vivemos Como os nossos pais… Meus amigos, a realidade, às vezes, é cruel e é preciso seguir em frente e engolir alguns sapos (ou deixar alguns ideais pelo caminho). Mas o que nos resta fazer? Sigamos em frente… Talvez a felicidade esteja em outro lugar. Em outro sonho. Meu blog: http://maisde140caracteres.wordpress.com

    6 curtidas

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    3.8 / 358
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    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas3%
    Moacyr Jaime Scliar profile picture

    Moacyr Jaime Scliar

    Scliar publicou mais de setenta livros, entre crônicas, contos, ensaios, romances e literatura infanto-juvenil. Seu estilo leve e irônico lhe garantiu um público bastante amplo de leitores, e em 2003 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, tendo recebido antes uma grande quantidade de prêmios literários como o Jabuti (1988, 1993 e 2009), o Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) (1989) e o Casa de las Americas (1989). Suas obras frequentemente abordam a imigração judaica no Brasil, mas também tratam de temas como o socialismo, a medicina (área de sua formação), a vida de classe média e vários outros assuntos. O autor já teve obras suas traduzidas para doze idiomas. Em 2002 ele se envolveu em uma polêmica com o escritor canadense Yann Martel, cujo famoso romance A Vida

    194 Livros
    472 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Moacyr Jaime Scliar