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    Felicidade demais - Contos

    Alice Munro

    Companhia das Letras
    2010
    344 páginas
    11h 28m
    ISBN-13: 9788535917253
    Português Brasileiro
    4.1
    185 avaliações
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    Nesta coletânea de dez contos da premiada escritora canadense Alice Munro, personagens femininas protagonizam histórias arrebatadoras sobre sedução, violência, os mistérios do passado, a finitude e promessas de felicidade intensa. Felicidade demais reúne dez contos de Alice Munro, protagonizados por personagens femininas que vivem situações de grande sedução e violência. São mulheres de idades e ocupações diversas, mas todas elas, a certa altura da vida, deparam com acontecimentos que mudam o rumo de suas vidas. O conto que dá título ao livro é um relato de ficção inspirado em uma personagem real: a russa Sophia Kovalevsky, que viveu na segunda metade do século XIX e destacou-se pelo pioneirismo na matemática. Ela foi uma das primeiras mulheres admitidas como professora universitária, em Estocolmo, além de jornalista de divulgação científica e escritora de ficção. A narrativa se concentra nos dias que antecedem a morte de Sophia, com flashbacks para contar seus envolvimentos amorosos e sua relação com a família da irmã, casada com um revolucionário da Comuna de Paris. Nos contos da autora, camadas narrativas se sobrepõem, o passado e a memória atuam no presente e conduzem a situações-limite. Mas mesmo quando a doença toma conta e o fim se anuncia, a promessa de felicidade, ainda que efêmera e ilusória, estará sempre no horizonte de realização.

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    Aguinaldo Medici Severino09/12/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    felicidade demais

    São dez contos. As histórias parecem simples, cotidianas, mas em algum momento, em todas elas, percebemos que tudo é muito mais complexo. Não apenas complexo, também violento, cruel, enganador. É assim também no mundo real, o homo sapiens sapiens sempre prefere acreditar na versão simples das coisas, na primeira impressão de um evento, de um relacionamento, de uma questão pública, antes de aceitar as camadas mais duras (e verdadeiras) de entendimento que as coisas sempre têm. Os contos parecem fáceis de emular. Nada mais falso. Um efebo, um aprendiz, poderia sim usá-los como modelo, claro, mas dificilmente alcançaria - com tanta economia e com um vocabulário tão corrente, comum - alcançar tal profundidade, desvelar tão bem os paradoxos da alma humana, descrever as facetas do temperamento das pessoas, registrar com tanta amplitude e precisão o cotidiano que compartilhamos todos, mas tão poucos tem a capacidade de entender (ou mesmo de aceitar). Os protagonistas das histórias - quase sempre mulheres, mas não apenas elas - são pessoas que vivem suas vidas como a grande maioria das pessoas vive: satisfatoriamente, sem grandes realizações, e sem se preocupar com as turbulências do mundo ou com o encantamento que tanto a arte quanto a ciência oferecem. São vidas marginais, mas exemplares, exuberantes em sua individualidade, como se Alice Munro fosse uma artífice de mitologias modernas. As histórias descrevem relacionamentos afetivos, casamentos e relações de amizade sem muita consideração, explicitando algo da hipocrisia que muitas vezes é a única coisa que os sustentam. A memória dos personagens sempre é seletiva. O ódio e o amor, o desejo e a frustração que brotam dos relacionamentos são, na forma como descritos por Munro, algo vívido, verossímil, real. Ela nunca conta cronologicamente suas histórias. Assim como nós, quando narramos algo para alguém, e até para nós mesmos, Munro superpõe informações que avançam ou retrocedem dias, semanas, décadas, uma vida inteira até, de forma a fixar maior dramaticidade ao que se conta (em nosso caso o fazemos porque somos sempre benevolentes e auto indulgentes com nossas biografias). Com duas ou três frases ela nós faz entender uma situação que poderia tomar páginas nas mãos de um escritor menos hábil. Há também sempre a incerteza sobre o desfecho das histórias. Será que entendemos todas bem? Assim como na vida real talvez seja mais fácil nos iludirmos e acreditarmos em finais ou totalmente felizes ou completamente trágicos. A economia psicológica é ilusória. Mas Munro nos oferece algo mais para reflexão. Sim, Alice Munro, duquesa de Ontario (com resolveu chamá-la o rei Xavier I de Redonda, uma história divertida que vale a a pena conhecer), é mesmo uma grande escritora. Boa surpresa conhecer os textos dessa senhora que acabou de receber o prêmio Nobel. [início: 17/10/2013 - fim: 25/10/2013] "Felicidade demais", Alice Munro, tradução de Alexandre Barbosa de Souza, São Paulo: editora Companhia das Letras, 1a. edição (2010), brochura 14x21 cm., 341 págs., ISBN: 978-85-359-1725-3 [edição original: "Too Much happiness: stories" (New York: Knopf Doubleday Publishing Group) 2009]

    6 curtidas

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    Alice Ann Munro

    Nasceu em 1931 em Wingham, no Canadá. É autora de diversos livros de contos, traduzidos para mais de dez idiomas. Entre os numerosos prêmios literários recebidos ao longo de sua carreira - incluindo o Man Booker Prize, em 2009 - destaca-se o Nobel de Literatura, em 2013. Foi a primeira vez na história que o prêmio foi destinado a um escritor especializado em contos.

    45 Livros
    121 Seguidores
    Ontario, Canadá

    Alice Ann Munro