Mais uma vez, Hitchens surpreende o leitor com sua escrita divertida e bem articulada. Neste livro ele conta a história de Thomas Paine, revolucionário britânico e um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos da América. Paine insuflou a emancipação das 13 colônicas americanas que estavam sob domínio britânico e, já em 1789 a 1792, talvez no auge da Revolução Francesa, contribuiu grandiosamente para a aquisição de direitos fundamentais desfrutados pela nossa civilização ocidental contemporânea.
Ao longo de seu contínuo amadurecimento, Paine escreveu obras que se tornaram best-seller em curto período de tempo, e dentre as mais famosas estão Senso Comum, A Crise, Os Direitos do Homem e A Era da Razão, último trabalho de sua vida. Paine, inclusive, integrou o espectro moderado composto pelos girondinos, na instauração da Assembleia Nacional da França revolucionária, e fez ferrenha oposição aos radicais jacobinos, liderados por Robespierre (daí se herdou a divisão política de esquerda e direita).
Hitchens disseca elementos peculiares que tornaram a carreira de Thomas Paine tão admirável. Muitos iluministas, antes e depois da revolução americana, já convergiam com os argumentos liberais, republicanos e seculares irradiados no final do século XVIII. Essa gama de pensamento racional iluminou o céu obscurecido pelo poder aristocrático das monarquias absolutistas, oriundas da Idade Média, e rompeu com todo o domínio clerical estendido sobre a população europeia.
O leitor encontrará, neste pequeno livro, um amontoado de consideráveis dados históricos sobre a jornada de um dos construtores do mundo moderno. Os Direitos do Homem de Thomas Paine é, sem dúvida, um firme pilar que deve sustentar os conflitos políticos a serem empreendidos em qualquer época da nossa era. Paine é um manancial de afirmação da liberdade humana.