Nuvem Cigana - Poesia e delírio no Rio dos anos 70

    Sergio Cohn (org)

    Azougue
    2007
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788588338708
    Português Brasileiro

    Nuvem Cigana – poesia e delírio no Rio dos anos 70,conta a história do influente grupo de poetas formado por Chacal, Charles, Bernardo Vilhena e Ronaldo Santos, que ajudou a renovar a poesia brasileira na década de 1970. Na voz dos próprios protagonistas, através de um longo depoimento editado em forma de diálogo. Completa o livro uma rica iconografia, com mais de 100 imagens originais de época, como fotos, cartazes e fac-símiles de textos, e uma ampla antologia de poesia dos autores que fizeram parte do grupo. Assim, é resgatado um importante documento para a compreensão da poesia brasileira contemporânea.

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    Arsenio Meira picture
    Arsenio Meira20/08/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "olha aí meu chapa/ é o seguinte/ no duro no duro/ o que eu queria mesmo/ era passar três dias sem existir."

    O livro nasceu para contar a (rica) história de uma geração cujo valor pode ser medido, dentre outros parâmetros, por não ter cedido ao clima de terror instaurado pela ditadura. Alguns podem pensar que é sopa, mas pimenta no dos outros é suco de maracujá. Essa geração, de tão variada, escrachada e ávida por tudo, viria a influenciar uma boa parte do pessoal que despontou logo depois; esse pessoal a que me refiro, que veio em sequência, não foi uma geração de poetas, mas de músicos e letristas geniais, geniosos, que formaram o chamado RockBR dos anos 80. E muito mais. O pessoal da Nuvem Cigana (Chacal, Bernardo Vilhena, Ronaldo Bastos, Ronaldo, Guilherme Mandaro, Charles, Luiz Olavo Fontes, Paulinho Menor, Cafi, Lúcia Lobo, Pedro Cascardo, Dionísio Oliveira e quem mais pintasse na área) plantou a ideia de que era possível resistir, criar, sem direito a pernoites. O Poeta Guilherme Mandaro, que abdicou da vida aos 27 anos, mandou de bate pronto: "Que não seja o medo da loucura/ que nos obrigue a baixar/ a bandeira da imaginação". E a rapaziada seguiu à risca. Daí, para o surgimento de outros grupos artísticos, foi igualmente um pulo. Na parte cênica, cito o lendário Asdrúbal Trouxe o Trombone, cujos integrantes souberam reinventar-se anos depois e até hoje dão vida ao teatro, televisão e cinema. Enriquecido por um bom e até vasto material iconográfico, eis o belo trabalho documental empreendido e organizado pelo poeta Sérgio Cohn. Um livro que bem se amolda àqueles excelentes documentários. Os pelos principais integrantes do "coletivo" e os coadjuvantes não menos importantes desse cenário vibrante da cultura brasileira, alternam-se em depoimentos nítidos, honestos, com mea-culpa de alguns e exaltação na medida ideal. Decerto há algumas passagens tristes, afinal de contas a ação passou-se nos anos 70, onde a ordem era matar qualquer um que não usasse cabelo à escovinha, e que não sacasse das algibeiras um rápido gesto de continência. O único senão vai para a breve antologia ao final do livro, onde figuram apenas os poetas que formaram a Nuvem. Uma derivação riquíssima da geração "mimeógrafo". Mesmo não tendo participado com assiduidade as performances do grupo, Cacaso não poderia ficar ausente dessa seleção de poemas. De jeito maneira... Obviamente, é uma opinião pessoal. É isso aí.

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