Homo videns - Televisão e pós-pensamento

    Giovanni Sartori

    EDUSC
    2001
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-10: 8574600598
    Português Brasileiro

    Misturando uma barafunda de lugares-comuns, o livro fala do cataclisma que toda e qualquer mídia surgida depois do rádio significaria para a espécie humana, que estaria deixando de ser homo sapiens para ser homo videns, ou homo insipiens (idiota). Homo, aliás, é o que não falta no livro: no meio do embate principal - prensilis x digitalis (leitura contra multimídias em geral) - estão o habilis, o faber, o communicans, o ludens, todos eles salpicados com citações rápidas de Bacon, Vico, McLuhan, Habermas. A forma de argumentação, esquiva, também é típica: a cada vez que o autor nega ser contra a tecnologia, cria um álibi e introduz uma adversativa para sugerir coisas como a proibição de processadores de texto nas escolas. E defensivo se mantém na conclusão o professor: "E se alguém quisesse me dizer que estas são atitudes retrógradas, eu poderia retrucar: e se, ao contrário, fossem atitudes de vanguarda?" Entrando no jogo: se fosse, a vanguarda estaria nos feudos e nas ocas que precederam a maldade das máquinas industriais e da informática. Naturalmente: para esse tipo de pensamento, a humanidade, ao contrário das idéias que proliferam nas faculdades, só piorou desde aquela época.

    Resenhas (3)Ver mais
    Roberto Pa picture
    Roberto Pa23/11/2010Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Homo videns - Sartori

    O livro de Sartori parece um daqueles livros de pedagogia que eu li durante a faculdade: te convidam a pensar, mas te deixam meio abandonados no meio do caminho. O livro é curto e de linguagem fácil -ideal, portanto, para colocar na bolsa e sacar nas filas, intervalos e esperas em geral. O livro tem bons momentos, uns dois capítulos especialmente inspirados, mas eu senti que faltava alguma coisa, alguma pegada mais séria, mais acadêmica. Algumas ideias são jogadas como se fossem senso comum, sem serem trabalhadas; outras, não são muito desenvolvidas, parece que o autor se furtou de ir além, escolhendo a leveza e fluidez, ao invés do peso de uma argumentação chata e acadêmica (não que elas sempre se excluam -mas na maioria das vezes, sim). Em linhas gerais, o autor trabalha a passagem de um momento em que o pensamento era formulado por meio de palavras -abstrações que estimulam a imaginação- para um outro de informações visuais, que atrofiam a criatividade, por já estarem dadas. Tecnologia, qualidade da informação, cultura e política vão permeando essa discussão, de maneira clara e direta, expondo as falhas e limitações do texto, na forma mais de uma conversa aberta do que de um livro que deve se resumir a si mesmo.

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