Misturando uma barafunda de lugares-comuns, o livro fala do cataclisma que toda e qualquer mídia surgida depois do rádio significaria para a espécie humana, que estaria deixando de ser homo sapiens para ser homo videns, ou homo insipiens (idiota). Homo, aliás, é o que não falta no livro: no meio do embate principal - prensilis x digitalis (leitura contra multimídias em geral) - estão o habilis, o faber, o communicans, o ludens, todos eles salpicados com citações rápidas de Bacon, Vico, McLuhan, Habermas. A forma de argumentação, esquiva, também é típica: a cada vez que o autor nega ser contra a tecnologia, cria um álibi e introduz uma adversativa para sugerir coisas como a proibição de processadores de texto nas escolas. E defensivo se mantém na conclusão o professor: "E se alguém quisesse me dizer que estas são atitudes retrógradas, eu poderia retrucar: e se, ao contrário, fossem atitudes de vanguarda?" Entrando no jogo: se fosse, a vanguarda estaria nos feudos e nas ocas que precederam a maldade das máquinas industriais e da informática. Naturalmente: para esse tipo de pensamento, a humanidade, ao contrário das idéias que proliferam nas faculdades, só piorou desde aquela época.
Homo videns - Televisão e pós-pensamento
Giovanni Sartori
EDUSC
2001
152 páginas
5h 4m
ISBN-10: 8574600598
Português Brasileiro
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