“Sob o peso das sombras” é o terceiro livro que li do escritor sergipano Francisco J. C. Dantas. Após ler “Coivara da memória” e “Os desvalidos”, novamente encontro um volume que fomenta uma literatura permeada de passado, nostalgia e retorno ao passado à luz dos personagens-narradores das diferentes prosas de ficção.
No livro em destaque, tem-se a história de Justino Vieira, com momentos que resgatam a infância permeada de violências e perdas, até a velhice cercada de dúvidas e solidão. As duas pontas são os limiares da existência, e ao me deparar com alguém que escreve uma narrativa que se movimenta sobre sua vivência, acompanho, enquanto leitor, o fluxo de consciência de uma narrativa em primeira pessoa de um narrador-protagonista utilizando da escrita como possibilidade de se descobrir ao rememorar os grandes acontecimentos de sua vida.
Não me cabe revelar os detalhes do enredo, pois esses pormenores só devem ser apreendidos àqueles que, por ventura, interessarem-se na leitura de Francisco Dantas. Dito isto, a jornada de Justino Vieira o cerca de sombras, como se fossem centelhas de um passado inconcluso ou até mesmo escondido na penumbra do esquecimento.
Portanto, por que escrever? Para salvar do esquecimento o que a história, a existência, a evolução e o progresso, tão poderosos na consolidação de mudanças culturais e sociais, fazem com que vários sujeitos e suas realidades sejam marginalizadas.
A escrita de Justino Vieira revela a jornada de todo escritor comprometido com a verdadeira literatura, ou seja, fundamentada de memórias, experiências e acontecimentos que respaldam o próprio passado, cuja escrita literária esteja sustentada nas sombras de tempos que existiram e não enxergamos mais.