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    Sob o peso das Sombras -

    Francisco J. C. Dantas

    Editora Planeta
    2004
    367 páginas
    12h 14m
    ISBN-10: 8576650126
    Português Brasileiro
    4.1
    8 avaliações
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    Favoritos2Desejados20Avaliaram8

    Em 'Sob o peso das sombras', o autor dramatiza a escrita em processo de um burocrata provinciano, sujeito perdedor e um tanto mediano, que apenas se salva (ou se perde de vez) porque tem inoculado em si o vírus da leitura. Falhado na vida, o secretário Justino Vieira decide segredar para o papel o que tem oprimido desde sempre - a relação descondensada com seu diretor da Faculdade de... Mitologia. Mas, o esboço das primeiras páginas é interrompido pelo câncer que o assalta. Num estilo fluente e de concretude lingüística que se pode pegar com as mãos, o autor executa aqui um gênero romanesco bastardo em que se enlaçam a ficção de primeira pessoa, a crônica, o diário, o ensaio, a sátira e o jornalismo.

    Resenhas (2)Ver mais
    Pedro Rezende picture
    Pedro Rezende13/04/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    As sombras da jornada do escritor: o peso do passado sob a escrita de memórias

    “Sob o peso das sombras” é o terceiro livro que li do escritor sergipano Francisco J. C. Dantas. Após ler “Coivara da memória” e “Os desvalidos”, novamente encontro um volume que fomenta uma literatura permeada de passado, nostalgia e retorno ao passado à luz dos personagens-narradores das diferentes prosas de ficção. No livro em destaque, tem-se a história de Justino Vieira, com momentos que resgatam a infância permeada de violências e perdas, até a velhice cercada de dúvidas e solidão. As duas pontas são os limiares da existência, e ao me deparar com alguém que escreve uma narrativa que se movimenta sobre sua vivência, acompanho, enquanto leitor, o fluxo de consciência de uma narrativa em primeira pessoa de um narrador-protagonista utilizando da escrita como possibilidade de se descobrir ao rememorar os grandes acontecimentos de sua vida. Não me cabe revelar os detalhes do enredo, pois esses pormenores só devem ser apreendidos àqueles que, por ventura, interessarem-se na leitura de Francisco Dantas. Dito isto, a jornada de Justino Vieira o cerca de sombras, como se fossem centelhas de um passado inconcluso ou até mesmo escondido na penumbra do esquecimento. Portanto, por que escrever? Para salvar do esquecimento o que a história, a existência, a evolução e o progresso, tão poderosos na consolidação de mudanças culturais e sociais, fazem com que vários sujeitos e suas realidades sejam marginalizadas. A escrita de Justino Vieira revela a jornada de todo escritor comprometido com a verdadeira literatura, ou seja, fundamentada de memórias, experiências e acontecimentos que respaldam o próprio passado, cuja escrita literária esteja sustentada nas sombras de tempos que existiram e não enxergamos mais.

    4 curtidas

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    4.1 / 8
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    Francisco J. C. Dantas profile picture

    Francisco J. C. Dantas

    Francisco J. C. Dantas é de origem rural; nasceu no engenho do avô em Riachão do Dantas, Sergipe, a 18 de outubro de 1941, e só entrou na Universidade aos 30 anos, quando já era casado e pai de uma menina. É arredio e reservado. Escritor do seu chão, sempre conviveu indiscriminadamente com bichos e livros. Autodidata, foi menino de bagaceira, diretor de escola, cavaleiro de pastos solitários, tabelião, foleador de formiga pelas madrugadas, caçador de alguns viventes noturnos e diurnos - fotógrafo. Montou laboratório apenas para reter a memória dos tempos que findavam; daí que tentasse evitar que amarelassem, agarrando-os na palavra. É árvore de raiz funda e só deixou o Sergipe para mestrado e doutoramento; de uma feita voltou com tese sobre Osman Lins e, de outra, sobre Eça de Queiroz. É professor na Universidade Federal de Sergipe mas peleja mais com animais que com gente; na roça tem criatório de bichos miúdos e graúdos, para os quais ouvido e faro são sempre apurados. Tem publicado contos e ensaios em revistas especializadas. Lançou ainda dois romances pela Companhia das Letras, <i>Cartilha do silêncio</i> (1997) e <i>Os desvalidos</i> (1993). Recebeu em 2000 o Prêmio Internacional União Latina de Literaturas Românicas.

    8 Livros
    10 Seguidores
    Sergipe, Brasil

    Francisco J. C. Dantas