Livro marcadamente de caráter histórico, magistralmente escrito, a autora tem uma capacidade descritiva que me deixou extasiada.É inserido num contexto de guerra, o que poderá não agradar a quem tem preferência por histórias leves e cor de rosa. A mim encantou-me sobejamente, não só pela precisão histórica, como pela sutileza da história, sem grandes artifícios glamorescos de amores extasiados. A mim toca-me uma história com contornos reais, uma história que posso acreditar que de facto ocorreu.... e Marsha Canham dá-nos tudo isso ( Anne, Jonh e Angus são efetivamente pessoas reais). A escrita é bastante ponderada e rica, a trama é bem conduzida e os personagens são bem delineados e ajustados à história. A autora tem uma maneira muito própria de nos dar a conhecer os protagonistas, opta muitas vezes por nos deixar fazer inferências sobre os mesmos a dize-lo ela própria. No meio da guerra entre Jacobistas que tentam repor Charles Stuart no trono escocês e a Inglaterra, a autora leva-nos para dentro do Clã Chatan onde Anne é apoiante da causa Jacobista por oposição ao seu marido Angus que se alia à Inglaterra. Não se pense que por isto eles não se amam, pelo contrário, mas enquanto Angus quer apenas preservar e proteger os seus, Anne encerra em si uma longa linhagem highland para quem a liberdade é tudo. Em lados opostos da guerra marido e mulher sofrem um pelo outro, preocupam-se e cuidam para que o outro esteja bem...de uma forma tão terna e despretensiosa que não são precisas palavras de amor para sentirmos isso na pele.
Jonh sempre amou Anne e vive o tormento de a amar e de ter q respeitar Angus seu amigo e senhor. Era com ele que ela devia ter casado e Anne apesar de amar o seu marido sabe que parte dela é de Jonh e sempre será. Como não amar a um homem destemido e valente, um highlander que luta pela liberdade, que luta pela honra e que nunca a abandonou...dei por mim a torcer para que Anne cedesse aos seus impulsos e só por um momento ela e Jonhn vivessem um momento só deles... não consigo explicar o pq, mas sim senti q era o certo... No entanto não creiam que se trata de um triângulo amoroso, n é, é algo mais profundo, mais soturno... A morte de Jonhn foi, ainda que esperada, dolorosa, tocou-me e acutilou-me a alma e para mim a despedida de Anne quando vê o seu corpo é a parte mais emotiva do livro. Para quem conhece a história, sabe que os Jacobininos perderem a guerra, daí que não esperem um final apoteótico, mas um final possível....e sim que de certa maneira nos deixa saciadas.
Um livro que nos mostra uma realidade para além de uma relação, um livro onde a amizade, a honra e os valores são os pilares centrais...
Um amor maduro, cabal, que dista da noção de amores holywoodescos, um amor onde não são precisas palavras, onde o sentimento é tão forte que transcende as pessoas e as causas. Um homem fará tudo para proteger a mulher que ama, e uma mulher para quem o amor não existe sem liberdade... amei