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    A Morte de Olivier Bécaille - Seguido de Nantas e A Inundação

    Émile Zola

    L&PM
    2001
    126 páginas
    4h 12m
    ISBN-10: 8525407143
    Português Brasileiro
    4.1
    280 avaliações
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    Favoritos18Desejados158Avaliaram280

    "Foi num sábado, às seis horas da manhã, que morri, após três dias de enfermidade. (...) Mas por que então eu tenho consciência de tudo que me cerca? Não! Eu não posso estar morto! Eu vejo, eu ouço! Vocês me entendem?! Meu Deus, não me enterrem!" (Trecho de A morte de Olivier Bécaille) Émile Zola (1840-1902) foi um dos maiores romancistas franceses de todos os tempos. Homem engajado nas lutas sociais e na vanguarda das artes, assim como manifestou-se a favor de Alfred Dreyfus, general francês acusado de conspiração, defendeu os pintores impressionistas e as lutas populares e democráticas na França. Escreveu o célebre Germinal, além de várias obras-primas da literatura mundial. Este livro reúne três novelas curtas: A morte de Olivier Bécaille, Nantas e A inundação, onde temos uma consistente amostra de seu gênio.

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    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva03/03/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um conto naturalista sobre a assustadora possibilidade de ser enterrado vivo

    Há muito tempo que eu queria ler algo de Émile Zola, célebre idealizador do Naturalismo na Literatura, movimento que no Brasil teve grandes autores como Aluísio Azevedo (“O Cortiço”) e Raul Pompeia (“O Ateneu”). Cheguei a ter em mãos por algum tempo uma de suas obras mais conhecidas, “Germinal”, mas deixei a oportunidade passar. Mais recentemente essa vontade de ler Zola aumentou, quando tomei conhecimento do importante papel desempenhado por ele no famoso “Caso Dreyfus” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Dreyfus), ao publicar o artigo “J’Accuse”, que gerou grande repercussão e acabou determinando a revisão do processo e reabilitação do oficial Alfred Dreyfus, injustamente acusado de traição. Aliás, fiquei sabendo de detalhes desse caso através da leitura do excelente suspense de Robert Harris, “O Oficial e o Espião” (https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2021/04/o-oficial-e-o-espiao-robert-harris.html), que rendeu inclusive um filme dirigido por Roman Polanski (https://youtu.be/OFXJELNxz2w) e que espero ver assim que possível. Toda essa expectativa foi amplamente compensada pela leitura de “A Morte de Olivier Bécaille”, que na edição que li é seguida por duas outras histórias curtas: “Nantas” e “A Inundação”. A prosa de Zola é envolvente, seduzindo o leitor mesmo ao narrar acontecimentos insólitos. O conto principal, por exemplo, começa com a frase simples e impactante: “Foi num sábado, às seis horas da manhã, que morri, após três dias de enfermidade.” Essa inusitada narrativa na primeira pessoa feita por um morto me evocou imediatamente as “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, meu livro predileto de Machado de Assis. Cheguei a cogitar que um autor houvesse influenciado o outro. Contudo o livro de Machado foi publicado em 1881 e o conto de Zola, até onde pude descobrir, foi publicado em 1884, o que torna impossível que o brasileiro tenha sido influenciado pelo francês e bastante improvável que o oposto tenha acontecido. Até porque logo a história de Zola segue caminhos bem distintos da de Machado, tratando-se não de uma narrativa do além-túmulo, mas do relato de alguém que é dado como morto (devido a um caso de catalepsia, provavelmente) e que é enterrado por engano. Aqui, por sua vez, a ponte que fiz foi com outro de meus autores favoritos, Edgar Allan Poe, que em seu conto “O enterro prematuro” trata exatamente do mesmo tema. E como essa ideia de ser enterrado vivo me apavorava, quando eu era criança! E ainda mais depois que li que isso acontecia com tanta frequência (ou pelo menos o medo de que isso acontecesse era tão comum) que houve um momento em que se costumava enterrar os mortos com uma das mãos atadas a um sino, que ficava acima do túmulo. Assim, se acontecesse de alguém acordar dentro do caixão, os próprios movimentos frenéticos do sujeito lá dentro acionariam o sino e fariam que ele fosse (possivelmente) desenterrado a tempo. É daí que se origina o dito “saved by the bell”, que em português virou “salvo pelo gongo”, mas cuja tradução literal seria “salvo pelo sino”. O terror dessa situação está presente no conto de Zola, mas esse está longe de ser o interesse principal da história. Ao fim da leitura, eu fui beneficiado pela oportunidade (sempre valiosa) de refletir sobre o uso que venho fazendo de meus dias sobre a terra, por esse lembrete de que esses dias inevitavelmente chegarão a um fim, e de que talvez isso ocorra sem o menor aviso prévio. Memento Mori, “lembra-te da morte”. “Nantas” é uma narrativa leve e interessante a respeito de um homem ambicioso e determinado a vencer a qualquer custo. E “A inundação”, em minha opinião a melhor história do trio, é uma espécie de versão atualizada da história de Jó, com o cenário do dilúvio como pano de fundo e sem qualquer intenção de propor um sentido ou uma redenção para o sofrimento humano. Se eu achei impactante ler isso hoje, imagine o que sentiram os leitores da época… Ainda duas curiosidades a respeito desse autor: 1) Ele foi o modelo de um dos quadros mais famosos da pintura mundial (https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89mile_Zola#/media/Ficheiro:Edouard_Manet_049.jpg), em que o pintor Édouard Manet aplicou nas artes plásticas a estética naturalista fundada por Zola. 2) Émile Zola morreu envenenado por monóxido de carbono proveniente de uma chaminé defeituosa, em uma situação misteriosa que deu margem à suspeita de que talvez ele tivesse sido assassinado por inimigos políticos, mas nada jamais foi comprovado. https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2022/03/um-conto-naturalista-sobre-assustadora.html

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    Émile-Édouard-Charles-Antoine Zola

    Émile Zola nasceu na capital francesa. Filho do engenheiro François Zola e sua esposa Émilie Aubert, cresceu em Aix-en-Provence, onde estudou no Collège Bourbon (atualmente conhecido como Collège Mignet) e, aos dezoito anos, retorna a Paris para estudar no Lycée Saint-Louis. Devido às complicações financeiras por que passou após a morte do pai, Zola é levado a trabalhar em uma série de escritórios, ocupando cargos de pouca influência. Inicia-se no ramo jornalístico escrevendo colunas para os jornais Cartier de Villemessant's e Controversial. Suas colunas não poupavam críticas severas a Napoleão III - (...) meu trabalho torna-se a imagem de um reinado partido, de um estranho período de loucura e vergonha humanas - e à Igreja - A civilização jamais alcançará a perfeição até que a última pedra da última igreja caia sobre o último padre. A obra de caráter autobiográfico La Confession de Claude (1865), um dos primeiros trabalhos publicados por Zola, atraiu atenção negativa da crítica especializada. O ainda mais criticado Thérèse Raquin, romance lançado no ano seguinte, apresentou uma abordagem inovadora em sua concepção: inspirado pelos estudos científicos da época, Zola propõe não um simples romance, mas uma análise científica pormenorizada do ser humano, da moral e da sociedade. Thérèse Raquin tornou-se, portanto, marco inicial de um novo movimento literário, oriundo da análise científica e experimental do ser humano: o Naturalismo. Em vida, Zola também demonstrou elevado engajamento político. Certamente, seu trabalho de maior influência política foi a carta aberta intitulada J'acccuse (Acuso), destinada ao então-presidente da França Félix Faure. A carta, publicada na primeira página do jornal parisiense L'Aurore em 13 de janeiro de 1898, acusou o governo francês de anti-semitismo por julgar e condenar precipitadamente o capitão Alfred Dreyfus, judeu e oficial do exército francês, por traição em 1894. Émile Zola faleceu em 29 de setembro de 1902 em sua casa em Paris devido à inalação de uma quantidade letal de monóxido de carbono proveniente de uma lareira defeituosa; alguns estudiosos, em razão das misteriosas circunstâncias do ocorrido, não descartam a hipótese de homicídio

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