Já faz algum tempo procurava pelos livros deste autor, que tem temas muito
interessantes, como Caos, Informação e as biografias de Richard Feynman e Isaac
Newton.
E de fato o autor não decepciona, pode ser colocado naquela categoria de livros que nos
dão a impressão de que nos tornam mais inteligentes.
O tema do livro é a aceleração da vida moderna, como a percebemos, ela é de fato real
ou apenas temos a impressão de que a vida esta mais acelerada ?
As tecnologias chegaram ao auge do controle e aplicação do tempo, e a tecnologia que
prometeu a economia do tempo também criou a sensação de que o tempo passa rápido
demais.
O autor começa o livro descrevendo sua visita a Diretoria do Tempo, agência militar
norte americana, no Observatório Naval, o primeiro observatório nacional dos Estados
Unidos, onde é mantido o principal relógio do mundo, composto de um grupo de
diversos relógios atômicos, e interligado com relógios atômicos de outras partes do
mundo por fibras ópticas, montando o segundo com os seus 9 bilhões de partes, o
máximo da precisão possível, a era dos nano segundos, uma obsessão que só faz sentido
no nosso tempo.
Alguns exemplos nos ajudam a entender que a vida de fato esta de fato mais acelerada,
por exemplo, hoje é comum que as pessoas conversem sobre estratégias para
economizar tempo, tal conversa não faria sentido a 100 anos atrás, talvez nem mesmo
entre nossos avós.
O livro passa por muitos exemplos.
Mudança nos programas de TV e da duração dos comerciais, a mudança dos saguões
das corretoras para os day tradders on line, do Fedex e muitos outros.
O livro tem um capitulo dedicado a tecnologia dos elevadores (O botão que fecha a
porta). Um objeto da nossa era que faz diariamente mais de 2 bilhões de viagens no
mundo moderno, e se depara com a impaciência de seus usuários diante de si. Para frear
a impaciência das pessoas os elevadores hoje, mais modernos tem maior capacidade de
processamento do que o foguete que levou o homem a lua.
Fala por exemplo sobre as mudanças na TV, na forma como as pessoas assistem aos
programas. Os comerciais de 30 segundos, já uma revolução na década de 70,
ganhariam ainda versões mais curtas, especialmente famosas ficaram as vinhetas de 3 a
5 segundos na MTV, criando toda uma nova linguagem nas décadas de 80 e 90. Uma
linguagem muito rápida, no limite da percepção das pessoas.
Todos estes pontos nos levam a compreensão de que o tempo é o nosso maior bem. E
hoje ele se encontra espremido. Conforme o autor menciona, para onde foram parar os
minutos e horas economizados pelas novas tecnologias ?
Achei fundamental a reflexão deste livro sobre a forma como a sociedade atual
considera o tempo, de como estamos condicionados a uma aceleração constante.
Entender estes aspectos é muito importante para a forma como lidamos com nossas
responsabilidades profissionais.
O livro esta repleto de exemplos de como a tecnologia acelerou o nosso ritmo de vida,
cita a lei de Moore como grande responsável por esta aceleração, e tem capítulos muito
interessantes como No tempo da Internet, em que o autor consegue fazer uma
reflexão muito interessante sobre o impacto da Internet na vida das pessoas, e faz isto
não de uma forma repetitiva, tendo já tudo já sido falado sobre este assunto. Ele
menciona, por exemplo, que a antiquada correspondência manual, servia de
amortecedor. Assim como os engenheiros de autoestradas descobriram que poderiam
evitar o congestionamento nas pistas, segurando os carros nas rampas de entradas,
forçando-os a esperar em sinais vermelhos aparentemente sem sentido, para seu próprio
bem.
Da mesma forma os atrasos nas comunicações de negócios, antes do correio eletrônico,
antes do Fedex, funcionavam como pausas para reflexão. As decisões podiam fermentar
durante períodos de uma lentidão acidental. Em contrapartida hoje nós não refletimos
sobre a informação, apenas reagimos a elas, de modo que não conseguimos nos adaptar,
talvez precisemos reservar um tempo formal para deliberação, onde antes usávamos um
tempo acidental.
Assim este livro ajudou-me a considerar o assunto do tempo a partir de outra visão,
mais elevada, mas também mais equilibrada, visto o autor não deixar de demonstrar
também algumas insanidades presentes na aceleração constante do uso do tempo.
Porém é essencial entendermos como funciona a sociedade moderna, e qual sua relação
com o tempo, como quem olha de fora para um acontecimento, e assim traçarmos
estratégias que levem em conta a percepção e expectativas das pessoas.