Carmen Miranda Foi a Washington - Foi a Washington

    Ana Rita Mendonça

    Record
    1999
    210 páginas
    7h 0m
    ISBN-9: 850153929
    Português Brasileiro

    Biografia de Carmem Miranda com suas implicações políticas.

    Resenhas (1)Ver mais
    Charles Nascimento picture
    Charles Nascimento27/03/2023Resenhou um livro
    0

    CARMEN MIRANDA FOI A WASHINGTON - Ana Rita Mendonça

    Carmen foi a nossa primeira estrela (única brasileira a ter uma estrela na calçada da fama nos Estados Unidos), mas no nosso país, terra que Carmen amou, suas lembranças, suas memórias estão cada vez mais difíceis. Dos filmes que ela atuou, das canções que gravou, de tudo que fez, resta muito pouco. Algumas coisas foram perdidas para sempre, outras como o filme do Argentino Carlo Campogalliani restou apenas uma foto da participação de Carmen (como figurante) no filme. O trabalho de Ana Rita Mendonça foi a princípio sua tese, antes de virar mais um livro biografia sobre Carmen e como tese, ela queria entender, conhecer os tempos e os lugares que Carmen Miranda viveu. Carmen nunca foi uma estrela uníssona entre o povo brasileiro. A classe média, a mídia burguesa detestava o jeito despojado da cantora. Em uma época que o país queria retirar os negros das cidades, embranquecer sua população, abria as portas do país para imigrantes europeus e destratava os negros que há pouco tinham sido libertos de centenas de anos de escravidão, Carmen cantava o morro, não abria mão da ginga e das gírias das favelas, o que irritava a burguesia que queria se parecer com europeus e norte americanos. Durante o período da 2° Guerra, os brasileiros vendiam matéria prima barata para os Estados Unidos, consumia filmes ficcionais, documentários, cine-jornais, curta-metragens que eles produziam enquanto eram chamados de ignorantes, atrasados, preguiçosos dentre outros, mesmo eles tentando manter um acordo de boa vizinhança com o Brasil e a América Latina. Os filmes estrelados por Carmen por vezes era uma farofa do que os Norte-americanos julgavam ser o Brasil e a Americana do Sul. Em Serenata Tropical um jornalista escreveu que o diretor confunde toda a América do Sul com Cuba e acha que tudo é Cuba. E até hoje tantos anos depois vemos que estudar a geografia do continente não é um dos fortes da grande potência norte-americana. Muitos queriam que Carmen fosse a responsável de melhorar e mudar o conceito que os norte-americanos tinham do Brasil, e por isso detestavam suas fantasias cada vez mais baianas, suas músicas gingadas. Carmen que tanto amou o Brasil e os brasileiros não foi amada como deveria. Que bom que o tempo e Senhor de tudo e anos mais tarde viria Caetano, Gil, Gal com o Movimento Tropicalista baseando na estética de Carmen e trazendo a pequena notável de volta à cena. Falta filmes, minisséries, mais documentários e mais pessoas espalhando o legado de Carmen, por isso saúdo Ana Rita Mendonça por esse trabalho. E viva Carmen Miranda da da da! Livro 21 de 2022

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 3
    • 5 estrelas67%
    • 4 estrelas0%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas33%
    • 1 estrelas0%